A minissaia e a liberdade à brasileira Por Adriana Berger “O amor de Deus é como o oceano.Você pode ver o começo mas não o fim”                                                                                  Voltei preocupada com a teoria e a prática que se alastram pelo nosso país: o da liberdade à brasileira. Pelo que vi em grandes e pequenas cidades o Brasil passa por um momento de grande licenciosidade, vulgaridade, superficialidade, besteirol. Vi meninas dançando em cima de garrafas. Sexo aberto em bailes e shows. Em novelas, programas de entretenimento, o corpo da mulher é usado e abusado. Noventa por cento da programação nacional da TV aberta é sobre cirurgia plástica, cosméticos, penteados, fofocas, brigas domésticas, rezas e “curas”, receitas, remédios, cães e bichos, violência. Piadas, de bêbado e homossexual. “Psicólogos”, “conselheiras” sentimentais e familiares usam sofrimentos de pessoas em programas sensacionalistas. Há “formadores de opinião” para qualquer assunto. Afirmo, sem medo de errar, que nós precisamos é de formadores de caráter. Há um grande apagão cultural. É como se todos estivessem sonâmbulos. Não se discute nada de profundo, alternativas para o país. A juventude sem sonhos e poesia não tem em quê ou em quem se inspirar. Contrabando é crime, mas, artigos contrabandeados são vendidos nas ruas na cara da polícia. O cerrado e a floresta, mais destruídos. As cidades em colapso no trânsito e na urbanidade. Crime e violência por toda parte. Milhões de brasileiros nas filas de atendimento da péssima saúde pública. O Brasil continua exportando matéria-prima e importando bugigangas. Baixa produção científica e tecnológica. Cada vez menos formandos em matemática, engenharias, física, química, biologia, ciências exatas. Se escolas e universidades se comportassem como instituições a formar cidadãos para o equilíbrio social e moral do país discussões públicas velhas e exageradas como essa da minissaia em universidade paulista não prosperariam. O X da questão não está na altura da saia rosa-choque da aluna, mas como, onde e por que foi usada. O que fez parte da imprensa “séria” onde microfones e páginas estão nas mãos de “formadores de opinião”? Usou o assunto para aumentar audiência e tiragem. Isto È critica a Uniban por seu interesse mercantilista. O que fez a revista ao dar capa à minissaia com reportagem cheia de frases do movimento feminista dos anos 60/70? Nenhuma palavra sobre regras, normas, comportamento nas escolas, em sala de aula, respeito mútuo. Destacaram mulheres com os seios de fora em Brasília, defensoras da garota da capa. A star is born (Nasce uma estrela) Com apoio da TV Globo nasce uma estrela nos costumes e no showbiz brasileiro. O cenário se repete.. A moça já foi convidada para posar nua. Vai desfilar na escola de samba Porto da Pedra. Em breve poderá ter seu espaço televisivo e ser mais uma formadora de opinião. No programa “Altas Horas” ela sentou-se na cadeira da fama, mas de jeans. Mandou recado para milhões de garotas: “a roupa é minha, visto como quiser, às sextas sempre vou a baladas e já saio de casa vestida e não devo satisfação a ninguém, aquele vestido é um dos mais discretos que uso”. Recebeu apoio de universitárias de Brasília com os seios à mostra: “se quiser ir nua que vá é a liberdade de cada um, o corpo é meu, ninguém tem nada com isso”. O apresentador do programa com cara de pateta, cercado por estudantes-tietes achando-se o máximo por promover a “liberdade”. Uma aluna de minissaia, saltos altos, super maquiada, produzida para baladas, em aula noturna, no meio de marmanjos, ou está com problemas de aceitação, chamando atenção para ser notada; ou não sabe a diferença entre o vulgar e o popular; ou esta querendo bagunçar com um confronto premeditado. Nas escolas do mundo todo há normas, uniformes, regras de comportamento onde muçulmanos, cristãos, budistas, ateus, ricos e pobres, educam jovens que continuarão a defender valores e princípios de seus povos e países. Psicólogos, professores, ao perceberem o comportamento da aluna deveriam ter conversado com ela, orientá-la, ajudá-la a superar fobias e rejeições. Não o fizeram. A reação de estudantes foi desmedida, vazia de conteúdo. Sem instituições sólidas, cria-se a liberdade à brasileira. Em que ou em quem se espelha a aluna do microvestido? O que tem aprendido em ética, valores, comportamento e convivência social? O que ela ouve e vê a seu redor? “Sou livre, visto o que quiser a hora que quiser”. Num país sem retentores morais, com apatia política e cultural, sem critérios, a garota não tem a quem responder ou dar satisfação. Nem em casa, nem na escola, nem à sociedade, nem ao país. “Se, juiz e desembargador podem, eu posso; se deputado e senador fazem, eu também posso fazer; se o presidente, seus ministros, o prefeito, podem, eu também posso”. A TV incentiva quebradores de regras. Cria espaço para mulher-melancia, samambaia, melão, morango. Popozudas ensinam danças, abrem as nádegas e, se abaixam, para mostrar mais. O programa Fantástico da TV Globo no dia 15 de novembro entrou em milhões de lares promovendo o livro e o filme da ex-prostituta Surfistinha, a garota da mina saia e o concurso Menina Fantástico. A Proclamação da República, data histórica do povo brasileiro não interessa. Não dá IBOPE. Em dez minutos, a TV Globo daria a milhões de jovens uma necessária aula da queda do império, a velha República, a era Vargas, JK, a ditadura militar e em 15 de novembro de 1989 a Nova República. Estão rasgando páginas de nossa história. A memória nacional se extingue. Com tanta noticia que precisa ser dada ao povo o noticiário noturno (Globo), no dia 16/11, se despediu destacando prostituta de noticia velha de tablóide inglês. O que ensina e estimula a mais rica e poderosa escola do Brasil? Não há na TV aberta brasileira (concessão pública) incentivo ao cumprimento de leis, a regras de respeito mútuo, à solidariedade e cooperação. Destaques, astros e estrelas, são os da marginalidade, corruptos bem-sucedidos, políticos mentirosos, os da sexualidade vulgar. Meu querido Brasil: rico por natureza, mas pobre de cidadania, princípios e ética. Adriana Berger é professora de História e Literatura Brasileira. Vive em Miami, Flórida.

O tucanato já esboça a estratégia de sua campanha para a sucessão presidencial. Vai na contramão do que planejou Lula. Em vez da “armadilha” plebiscitária idealizada pelo presidente –a era FHC X a era Lula ou o “Nós contra eles”—, o PSDB arquiteta outro tipo de comparação. No comando da caravana da oposição, o partido deseja estabelecer um confronto de biografias: a de José Serra contra a de Dilma Rousseff. Na visão do grão-tucanato, a tese do plebiscito não é senão uma tentativa de Lula de acomodar entre ele e Dilma um duto de transferência de prestígio. Para se contrapor à tática do governo, o PSDB vai espremer a tecla de que Dilma no poder siginificaria mais quatro anos de PT. Só que sem Lula. Pretende-se enfatizar que, entre os nomes que irão à cédula, não estarão nem o de Lula nem o de FHC. No cotejo das biografias que interessam, imagina-se contrapor a imagem de um Serra experiente à de uma Dilma novata. De um lado, um ex-deputado constituinte, ex-senador, ex-ministro, ex-prefeito e atual governador do maior Estado do país. Do outro, uma “novata” em eleições. O plano marqueteiro do PSDB, passa longe dos murros em ponta de faca. Nada de renegar programas da gestão Lula que recebem estrepitosa aprovação popular. Bolsa família? O tucanato dirá que começou sob FHC, reconhecerá que Lula ampliou e jurará que Serra vai aperfeiçoar. Vai-se dizer que Serra, por experiente, é mais talhado do que Dilma para preservar o que há de bom e ajeitar o que não funciona. Contra a imagem de boa gestora que Lula tenta pespegar em Dilma, pretende-se apregoar que não é bem assim. O PSDB dirá que tudo o que está sob a responsabilidade direta da chefe da Casa Civil não caminha bem. O PAC? O tucanato coleciona dados. Imagina que vai conseguir demonstrar que há na praça mais propaganda do que obras de infra-estrutura. O Minha Casa, Minha Vida? Para o PSDB, há mais gogó do que chaves nas mãos daqueles que precisam de teto. É assim agora. E não vai mudar até 2010. O tucanato descrê das chances presidenciais de Ciro Gomes. Acha que, isolado por Lula dentro do seu próprio partido, o PSB, Ciro não decola. Trabalha-se com a idéia de que Dilma, hoje com 15% nas pesquisas, vai subir. Beneficiada pela superexposição, tende a firmar-se como alternativa oficial. Porém, munido de suas próprias pesquisas, o tucanato imagina que o crescimento de Dilma não representará ameaça à lidernaça de Serra. O governador paulista é, por ora, o nome mais bem-posto nas sondagens eleitorais. Ele as frequenta em patamares nunca inferiores a 40%. Para o PSDB, é limitada a capacidade de Lula de trasnferir votos para Dilma. É maior no Nordeste. É menor, contudo, no Sul e no Sudeste, regiões em que Serra imagina que prevalecerá, compensando eventuais dissabores de urnas nordestinas. Para corroborar a tese, os tucanos recorrem a dois exemplos. Recordam que, em 2008, Marta Suplicy foi batida em São Paulo a despeito do apoio de Lula. Lembram que, em Natal, sob oposição cerrada de Lula, triunfou nas urnas Micarla de Souza (PV), candidata apoiada pelo senador ‘demo’ José Agripino. Mal comparando, o tucanato vai usar, em 2010, um lema análogo ao utilizado pelo Lula-2006. Contra Alckmin, a musiquinha do programa eleitoral de Lula cantava: “Não troque o certo pelo duvidoso”. Nas dobras da estratégia que se encontra sobre as pranchetas do tucanato, a dúvida de 2010 é Dilma. Serra seria o certo, já testado. O plano esbarra em dois óbices: primeiro, diria Garrincha, falta combinar com os russos. Segundo, é preciso convencer Serra de que a campanha já começou. Não há na cúpula do PSDB um único político disposto a aceitar o calendário de Serra. O governador paulista tenta empurrar a entrada no ringue para março de 2010. A direção tucana trabalha com outro prazo limite: janeiro de 2010. Serra ainda não se deu por achado. Nas últimas 48 horas, em discursos pronunciados na São Paulo de Serra, Lula e Dilma desancaram o tucanato. Em viagem a Istambul, na Turquia, o governador tucano fez que não ouviu. Na noite de sexta (6), dia em os rivais deitavam falação anti-tucana numa convenção do PCdoB, Serra brindava seus seguidores no twitter com um vídeo sugestivo. Escreveu: “Aos que ficam me mandando dormir: vejam o que recebi! Famoso comercial de 1961. Quem conhecia?” Recomendou um link que conduz a um comercial dos cobertores Parahyba (assista no rodapé). O jingle começa assim: “Tá na hora de dormir…” Para o grosso do PSDB e também para o parceiro DEM, tá na hora de Serra acordar

Lula liga PSDB a Hitler e responde a ataques de FHC Dilma: tucanos são forças do passado, patéticas e desconexas PCdoB/Divulação De volta ao Brasil, Lula retomou o seu projeto político prioritário: a antecipação do calendário eleitoral de 2010. Acompanhado de Dilma Rousseff, sua candidata, o presidente compareceu, na noite passada, ao 12º Congresso do PCdoB. Ambos discursaram. Um dos participantes do congresso enviou ao blog, por e-mail, o áudio do par de discursos. Em texto levado ao seu portal, O PCdoB concentrou-se em Lula. Presidente e candidata alvejaram o tucanato. Ele respondeu a críticas que recebera na semana que estivera ausente, em Londres. Ela soou como candidata. A certa altura, Lula acusou o PSDB de utilizar tática nazista. Disse ter manuseado duas manchetes de jornal. Mencionou o título de uma delas: “Contra Lula, PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste”. Não citou o nome do jornal. Mas referia-se a uma notícia veiculada pela Folha na edição desta sexta (6). Comentou: “É um pouco o que o Hitler dizia, para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam”. Respondeu a um artigo de Fernando Henrique Cardoso, publicado em vários jornais no último domingo. No texto, FHC comparara Lula aos militares. Anotara que instalara-se no Brasil um “autoritarismo popular”. Tachara o “lulismo” de “subperonismo”. Evocando o prêmio que acabara de receber em Londres –“Estadista do Ano”, concedido pela Chatham House-, Lula afirmou: “Compreendo o ódio. Um intelectual ficar assistindo um operário, que só tem o quarto ano primário, ganhar tudo o que ele queria ter ganhado e não ganhou por incompetência é difícil”. Ouviram-se palmas, que evoluíram para a ovação. E Lula: “Tem presidente que foi estudar dois, três anos lá fora. Eu não”. Mais adiante, citou o nome de seu detrator: “O Fernando Henrique Cardoso, eu tenho a convicção absoluta, que ele tinha certeza que nós seríamos um fracasso…” Tinha certeza de “que ele poderia voltar por conta do meu fracasso. É isso que magoa. Então, eu lamento, porque o mundo não deveria ser assim. A gente, quando perde uma coisa, a gente tem que torcer para o outro fazer”. Noutro trecho, Lula soou como se respondesse a Caetano Veloso. O compositor o chamara de “analfabeto”. Dissera que “não sabe falar, é cafona falando, grosseiro”. “[...] Essa semana eu fui chamado de analfabeto. E nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Tem muita gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos no colégio. Não tem nada mais burro que isso…” “…Universidade dá conhecimento. Inteligência é outra coisa. E a política é uma das ciências que exigem mais inteligência do que conhecimento. Inteligência para saber montar equipe, tomar decisões, não está nos livros, mas no caráter e na sensibilidade…” “…Mas não importa. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura”. Noutra frase, Lula misturou Caetano e FHC: “Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação…” “…Vamos terminar nosso governo com 14 novas universidades federais. Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século”. Antes, Lula pedira “atenção” da platéia: “[...] Um estranho no ninho pode desmontar tudo que foi feito em apenas dois anos”. Pregou a “continuidade” como algo “extremamente importante”. Lamentou a ausência de seu nome na cédula. “Vai ter um vazio na minha cabeça”. E citou Dilma como a pessoa talhada para zelar pela “continuidade”. A candidata despejou sobre o microfone adjetivos fortes para referir-se aos rivais tucanos. Reforçou a estratégia plebiscitária –“Nós contra eles”—, idealizada por Lula. Disse que “forças do passado, patéticas e desconexas, usam esmurradas táticas para confundir as pessoas”. Afirmou que o tucanato tenta passar a idéia de que os oito anos de FHC são “semelhantes” aos dois mandatos de Lula. Arredondou o raciocínio: “Eles morrem de medo de comparar nossos [dois] governos com os deles e os nossos projetos com os deles”. Declarou que o Brasil de FHC e o de Lula “são países completamente diferentes”. Acha que “o povo brasileiro vai saber julgar no ano que vem”. Esmiuçou as diferenças segundo a sua ótica: “Vamos mostrar que eles dilapidaram o patrimônio nacional e privatizaram as empresas nacionais”. Disse que a oposição “não tem moral para falar do nosso governo”. Referiu-se às críticas como “queixumes, resmungos e murmúrios”. Anteviu um processo eleitoral “duro”. E fez um chamamento à unidade do consórcio partidário que se aninha sob a presidência de Lula: “As forças progressistas precisam manter a unidade. Não podemos deixar que essa oportunidade de união escape de nossas mãos e das mãos do povo brasileiro”. Incluiu no pacote da unidade até o PSB de Ciro Gomes: “O Brasil nunca esteve tão bem, mas esse será o maior desafio das forças progressistas…” “…Nós [do PT], como o PMDB, o PCdoB, o PSB, o PDT, entre outros, teremos que enfrentar esse desafio”. De resto, Dilma desdenhou da tese oposicionista segundo a qual Lula lidou com a crise a golpes de “sorte”. “A grande crise que sacudiu o mundo colocou por terra esse argumento de que houve sorte”. A crise foi domada, segundo ela, pela “eficiência do governo”. Como se vê, a banda da sucessão passa zunindo sob a janela de 2009. Não é como a banda da música. Não canta coisas de amor. Só o PSDB, ainda à toa na vida, não vê. Escrito por Josias de Souza às 04h31

Caetano Veloso e Lula têm algo em comum. Ambos são compositores.

Como artista, Caetano compõe músicas. Como político, Lula compõe com todo mundo.

De resto, a dupla se iguala no hábito de falar além do necessário.

Pois bem. Dando azo às afinidades, Caetano resolveu desancar Lula.

Em meio a uma declaração de apoio a Marina Silva, chamou-o de analfabeto:

“Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla…”

“…É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”.

Abespinhado, o grão-petê Ricardo Berzoini disse que Caetano tem “grande desprezo pela democracia”.

E concedeu títulos extracurriculares a Lula: “Quem conhece a trajetória de Lula e vê a liderança internacional que ele tem hoje sabe que ele é pós-graduado…”

Pós-graduado “em política, administração e relações internacionais”.

Ninguém exige de Lula que seja um Caetano. Mas passou-se a exigir de Caetano que reaja politicamente. 

É certo que Lula estudou menos do que deveria.

Na bastasse o exemplo de Marina, que iniciou a alfabetização aos 16, Vicentinho (PT-SP), um advogado temporão, é prova de que não faltou tempo ao ex-sindicalista. Sobrou-lhe preguiça.

É certo também que Lula, portador de logorréia incurável, fala pelos cotovelos.

No dizer do poeta Mario Quintana, o autodidata não é senão “um ignorante por conta própria”.

E, por vezes, Lula passa a impressão de que encontra prazer no exercício da ignorância.

O diabo é que, ao reagir a Lula, Caetano serviu-se da mesma cafonice e grosseria que enxerga no alvo.

Numa evidência de que boa escola não assegura elegância, Caetano esbofeteou os milhões de brasileiros apartados do banco da escola pela privação.

Por sorte essa gente prefere as canções sertanejas à MPB. Mas Caetano não perderia nada se desperdiçasse um naco de seu tempo ouvindo Caetano. Recomenda-se “Calúnia”:

“Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixe a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Deixe a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Se me ofendes, tu serás ofendido
Pois quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque vivo a brilhar

Escrito por Josias de Souza às 03h58

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso fez fortes críticas ao go verno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em artigo publicado neste domingo (1º) nos principais jornais do país. Para FHC, é preciso dar “um basta no continuísmo antes que seja tarde”. Ele considera que, atualmente, o “DNA do ‘autoritarismo popular’ vai contaminado o espírito da democracia”. “Vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar (…) Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo ‘Brasil-potência’”, destaca FHC. Ao longo do texto, cujo título é “Para onde vamos?”, o ex-presidente critica medidas de Lula, como a proposta de mudança na legislação do petróleo para a exploração da camada do pré-sal, a ‘ingerência governamental” na Vale e o processo de compra de aviões militares pelo Brasil. FHC classifica tais exemplos de “pequenos assassinatos”. saiba mais Depois de atacar, Lula defende liberdade de imprensa Formador de opinião pública ‘já não decide mais’, diz Lula Lula diz que oposição está ‘nervosa’ porque governo inaugura obras Não vejo dificuldade em defender Lula e Dilma no TSE, diz novo AGU Lula diz que Brasil teve governantes ‘duas caras’ ——————————————————————————– “Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada?”, questiona. “Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou?”, acrescenta, se referindo a preferência de Lula por caças franceses. FHC também pergunta o porquê de “antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro exibindo uma candidata clauditante”. Para o ex-presidente, Lula escolheu “no dedaço” a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para ser a candidata do PT nas eleições presidenciais de 2010. Em um trecho do artigo, o ex-presidente critica a aproximação diplomática do Brasil com o Irã. “Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não das lei, dos bons costumes”. O G1 entrou em contato com a Presidência da República, que informou que, por enquanto, não irá se manifestar sobre as críticas feitas pelo ex-presidente.

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    002DA ESQUERDA PARA DIREITA: VALÉRIA, PEDRO JUNIOR COM LUANA NOS BRAÇOS, PEDRO ALMINO, VERA,TENDO A FRENTE JULIA, DENISE COM O LUCAS NOS BRAÇOS, DANUBIO, LUCIANA E DANILO

    016EM JANTAR COMEMORATIVO AO MEU ANIVERSÁRIO

    EU E VERA AO CENTRO CERCADOS POR MNHA SOBRINHA GABRIELA (FILHA DA NATALIA E EDUARDO)) E MINHAS NETAS LUANA E JULIA (FILHAS DO JUNIOR E VALERIA)

    NATALIA QUEIROZ MINHA MÃE, FOI ENTREVISTADA EM 1990

    ÊSSE TEXTO FOI EXTRAIDO DO MEU LIVRO “PROSAS, FATOS E FOTOS”, QUE  SERÁ PUBLICADO EM BREVE. ESTÁ NA FASE DE REVISÃO PARA DEPOIS IR AO PRELO

    - EIS A ENTREVISTA :

    P- Onde a senhora estava na véspera do ataque de Lampião a Mossoró? A senhora fugiu no trem para Areia Branca ?

     N- Estava na casa do prefeito Rodolfo Fernandes com um grupo de amigos e familiares, todos curiosos com a evolução dos acontecimentos, pois o ataque de Lampião a Mossoró poderia acontecer a qualquer momento.Sei bem que Júlio Maia ( um dos líderes da resistência e primo do Prefeito), chegou e disse que nós tínhamos que ir também para Areia Branca de trem. Continua Natália – os homens estavam se organizando em trincheiras. O prefeito foi muito corajoso, decidido, isso é que é a verdade., Acho que fomos no último trem, já muito lotado. Foi uma verdadeira folia. Eu era muito jovem, claro que estava com medo mas naquela idade tudo era aventura. Eu ainda não conhecia João Almino. Passamos três dias em Areia Branca. Era tanto boato!  As informações eram desencontradas, mas voltamos no primeiro trem.

     P- Já sabiam que Lampião havia sido derrotado?

    N- deram ordem para a gente voltar, pois Lampião já havia saído, mas tinha sempre aquelas pessoas que duvidavam de tudo. No percurso, acho que já bem perto de Mossoró, avistamos um carro e o trem diminuiu a marcha para saber notícias. Nessa ocasião o pai de Idália, (esposa de Chico Xavier de Queiroz), o senhor Antonio do Carmo, muito nervoso perguntou ao motorista do carro em voz alta, como estava a cidade. O motorista respondeu:- “tudo em paz”, mas ele entendeu “tudo em bala” .Ficou então gritando para o trem parar.E dizia : – Ta vendo, tudo em bala”. Foi um verdadeiro alvoroço. Algumas pessoas choraram, mas o maquinista desceu e foi conversar com o motorista do veiculo ficando esclarecido que estava tudo em paz. O trem prosseguiu viagem.

    P-  O trem estava muito cheio ?

    N- sim estava mas nem todo o pessoal que tinha ido a Areia Branca voltou naquele dia, alguns ainda permaneceram por vários dias e a cidade de Mossoró ainda passou quase um mês com boatos. Diziam que Lampião ia retornar ou que estava na passagem do rio. Lembro-me de Jararaca na cadeia, fui olhar. Dr. João Marcelino foi o médico que o atendeu. Dizem que Jararaca  foi enterrado vivo, pelos policiais que iam levá-lo para Natal.

    P- O que aconteceu após a fuga de Lampião ?

    N-  Sim, mas o bando de Lampião fugiu em direção a Jucuri e de lá até a fazenda Veneza, que era uma propriedade de Alfredo Fernandes. O gerente dela era Childerico (Childerico  Fernandes de Souza), primo de seu pai. 
     Chegaram de manhã cedo (dia 14). A Bebela (Felisbela Rodrigues Fernandes) me disse muito depois o sofrimento que passaram. Acabaram com toda a comida existente lá, estoque de carnes, mataram muitas galinhas a tiro e mandaram fazer comida.  Eram mais de 50 cangaceiros. Saquearam tudo e ainda levaram 15 contos de reis que Childerico estava guardando para compra de umas reses. Bebela me disse também que só conseguiu guardar um queijo que caiu e ela jogou para debaixo de um armário. A certa altura Lampião perguntou se Childerico era primo do prefeito. Ele disse que sim. Não houve confusão por isso, mas  tinha um cangaceiro chamado Massilon que evitou muito as agressões que alguns queriam fazer. Eles ficaram na fazenda por todo o dia 14 e depois seguiram para Limoeiro do Norte.

     Concluiu Natália: – eu não conhecia ainda João Almino. Minhas amigas é que falavam dele e diziam que ele era irmão de Celso Almino. Ora, se eu também nem sabia quem era Celso .

     

    FLAGRANTE COLHIDO DURANTE O JANTAR : 008DA ESQUERDA PARA DIREITA VEMOS : NATÁLIA COM DAVI, LUCIANA, DANILO, EU, RODRIGO COM VICTOR, FERNANDA E VERA.

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