Oitenta e um ano depois, a resistência de Mossoró ao bando de Lampião ainda rende. Foi daqui, em 1927, que o cangaceiro e seu bando correu em busca do sertão paraibano, tendo sido morto onze anos depois. Naquele tempo, Lampião era tido como o “rei do Nordeste”, e apenas a citação de seu nome causava temor a quem ouvisse. Não se discute se era bandido ou vítima do sistema, como apregoam alguns historiadores, mas o certo é que Virgulino Ferreira da Silva fez história, e Mossoró, a exemplo de outras cidades do semi-árido nordestino, faz parte desse enredo, que hoje é contado – em fotos e textos – em exposição permanente no Memorial da Resistência, cuja inauguração ocorrerá às 19h de hoje.
A estrutura apresenta três divisões, sendo uma direcionada aos resistentes, conhecidos e anônimos que permaneceram na cidade e, conforme a história, fizeram valer a estratégia do prefeito Rodolfo Fernandes. A segunda retrata a cidade da década de 20, o comércio, a sociedade e os costumes da época. O terceiro bloco se volta às figuras emblemáticas do cangaço.
O que se verá no Memorial da Resistência é fruto de um resgate histórico do que aconteceu antes e depois de 13 de junho de 1927, data em que Lampião invadiu Mossoró em busca de 400 contos de réis, cuja trama teve origem no Ceará, onde o coronel Isaías Arruda morava e arquitetava planos aos cangaceiros.
Em painéis, toda essa história é contada. O Memorial da Resistência foi pensado para atrair pessoas interessadas em conhecer o que se passou em Mossoró em 1927, bem como para servir de espaço pedagógico. Foi o que informou o secretário da Cidadania, Francisco Carlos.
Voltando à história que culminou com a construção do memorial, a invasão a Mossoró, como já foi dito, ocorreu em 13 de junho. Antes disso, os cangaceiros já haviam chegado ao Rio Grande do Norte, pelas bandas do Alto Oeste, via município de Luís Gomes. De lá passaram por várias cidades, e antes de chegarem aqui, também enfrentaram resistência em Marcelino Vieira.
Em 10 de maio, quase um mês antes de Lampião pisar em solo mossoroense, os cangaceiros agiram em Apodi. Foi a deixa para que o prefeito Rodolfo Fernandes agilizasse o plano de não ceder às investidas de Lampião. Mulheres, crianças, idosos e enfermos foram levados para fora de Mossoró. Trincheiras foram montadas em vários locais da cidade, mas foi na capela de São Vicente que o combate se deu e onde um cangaceiro tombou, atingido na cabeça, e outro ficou ferido – Colchete e Jararaca. O último foi morto dias depois e, passado todo esse tempo, ainda se tem dúvidas se ele foi enterrado vivo ou não.

Meu pai Joao Almino foi um dos participantes das famosas trincheiras de fardos de algodão que serviram como defesa dos resistentes. Minha mãe Natalia Queiroz, ainda muito jovem, estudante em Mossoró foi uma das passageiras do trem que se deslocou até Areia Branca na fuga de idosos e crianças. Ela nessa época ainda não conhecia meu pai. 

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