Aécio está com medo de ser preso

14/06/2017 – 03h37

Ricardo Noblat

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) chorou, ontem, ao saber que a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), formada por cinco ministros, decidiu manter presa por 3 votos contra 2 sua irmã e principal assessora, Andrea Neves, suspeita de envolvimento no caso do pagamento de propinas a políticos pelo Grupo JBS.

PUBLICIDADE

Dizem colegas de Aécio que ele está inconformado com a situação da irmã e com muito medo de também ser preso em breve. Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, reiterou ao STF o pedido de prisão de Aécio. E no próximo dia 20, os mesmos ministros que negaram a liberdade à Andrea julgarão o pedido feito por Janot.

Foi por isso que Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, reuniu-se, ontem, com o ministro Edison Fachin, relator da Lava Jato no STF. A informação oficial foi de que os dois conversaram sobre a decisão de Fachin de afastar Aécio do mandato. Mas eles trocaram ideias também sobre a possibilidade de Aécio ser preso.

Se a prisão dele for aprovada pelo STF, o Senado terá que dar ou não autorização para que ela se consuma. Foi assim no caso do ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), então líder no Senado do governo Dilma. Com uma diferença: acusado de obstrução da Justiça, Delcídio foi preso em flagrante. No mesmo dia, o Senado avalizou a prisão.

Em troca do apoio do PSDB ao governo Temer, o PMDB, dono da maior bancada no Senado, prometeu votar ali contra a cassação do mandato de Aécio e contra também um eventual pedido de autorização para que ele seja preso. Embora afastado do mandato, Aécio continua recebendo salário e os demais benefícios como senador.

Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)

 

Em entrevista, esta manhã, tratamos dos institutos do “recall” e do parlamentarismo como soluções eficazes para resolver os graves problemas políticos, principalmente relacionados à presidência da República.

 

10 mil visualizações

Duque afirma que Graça Foster acertou propinas para o PT

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás depõe ao juiz Sérgio Moro como réu em ação penal por corrupção em contrato da italiana Saipem e, pela primeira vez, surge uma acusação à ex-presidente da estatal petrolífera

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

09 Junho 2017 | 18h48

Foto: Fábio Motta/Estadão

O ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato afirmou ter acertado propinas de 0,5% para o PT, a pedido da então presidente da petrolífera e Graça Foster, em contratos entre a estatal e a empresa italiana Saipem, para a qual ele foi chamado para atuar. Na ocasião, segundo Duque, ela era diretora de Gás e Energia da Petrobrás.

PUBLICIDADE

“Eu conversei com José Eduardo Dutra (primeiro presidente da petrolífera no primeiro governo Lula, em 2003) e trouxe pra ele essa questão dos dois projetos que a Saipem queria que eu participasse e que queria esse apoio na Petrobrás. Pedi para que conversasse com Graça para que se ela ajudasse a Saipem nesses dois processos, haveria uma participação de 0,5% do contrato para o PT”, relatou Renato Duque.

Ele disse que, após a conversa com Dutra , que também foi presidente do PT, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster, recebeu a resposta positiva para o pagamento de propinas.

“O Dutra conversou com a Graça e voltou com a resposta afirmativa: ‘Está de acordo, vai ajudar no que puder, e fica certo 0,5% para o PT. E tem outra demanda. Que você separe 2 milhões de dólares. Um pra mim e um pra ela. O meu eu vou precisar em 2014 pra campanha em Sergipe. O dela eu não sei qual vai ser a destinação’”.

Apesar do suposto acerto, Duque afirmou que o pagamento ‘não se concretizou’.

O ex-diretor da Petrobrás ainda relata ter tido uma reunião com Graça Foster em época anterior ao suposto acerto.

“Graça Foster, quando ela assumiu a diretoria de Gás e Energia, ela me chamou no gabinete e disse: ‘eu sei que foi feito, que é feito, e eu sei o que tem que ser feito. Eu só não sei fazer. Eu só preciso da sua ajuda para que isso aconteça’.”

O depoimento foi dado na ação movida pelo Ministério Público Federal na qual Duque é acusado de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Segundo a Lava Jato, Duque integrou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para favorecer a italiana Saipem na contratação de obras da Petrobrás.

Os procuradores sustentam que o ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera e outros acusados se utilizaram de transações bancárias nas contas da Hayley/SA, offshore uruguaia que mantinha contas na Suíça e que, posteriormente, remetia os valores como simulação de investimentos na sua subsidiária Hayley do Brasil.


COM A PALAVRA, GRAÇA

A reportagem fez contato com a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster. O espaço está aberto para manifestação.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato

Diretas, Já! O trunfo de Temer

01/06/2017 – 05h55

Ricardo Noblat

O que une neste momento Temer e Lula, o PT e os que ainda defendem dentro do Congresso a permanência do presidente investigado pelo Supremo Tribunal Federal?

Lula e o PT pregam eleições Diretas, Já! para que possam sonhar com a volta ao poder. Temer e seus apoiadores acenam com o risco das Diretas, Já! para não largarem o poder.

Foi por isso que o governo liberou sua tropa para que aprovasse, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a proposta do senador José Reguffe (DF-sem partido) que prevê Diretas, Já!, se vagarem nos três primeiros anos de mandato os cargos de presidente e vice-presidente da República.

Ou seja: se o Congresso aprovasse a Emenda Reguffe e Temer deixasse a presidência ainda este ano, haveria Diretas, Já!, para a escolha do seu substituto que governaria até 31 de dezembro de 2018.

Para que vá adiante e vire um fato consumado, a emenda terá que ser votada pelo Senado em dois turnos e depois também em dois turnos pela Câmara dos Deputados. E aprovada nas duas Casas por 3/5 dos votos de cada uma.

Seria difícil aprová-la sem modificações? Seria. Mas deixará de ser impossível se depender de um presidente acuado, de uma crise que se aprofunde e de políticos que aspiram à reeleição.

Por ora, o apoio da base do governo à Emenda Reguff é para tocar terror nos que receiam uma eventual candidatura de Lula. Não sem propósito, a Emenda Reguff já passou a ser chamada no Congresso de Emenda Fica Temer.

Michel Temer, presidente da República, um tanto quanto irritado (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)Michel Temer, presidente da República (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)

 

Dilma sabia de caixa dois em campanha, dizem João Santana e Mônica Moura

Marqueteiro afirmou ainda que, após a eleição de 2014, Dilma perguntou se conta no exterior para receber recursos era segura

POR ANDRÉ DE SOUZA

A ex-presidente Dilma Rousseff – Aílton de Freitas / 11-1-2016

BRASÍLIA – Em depoimento prestado nesta segunda-feira, o marqueteiro João Santana e sua mulher, a empresária Mônica Moura, disseram que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento de caixa dois na campanha de 2014. Mônica Moura contou que, pelo teor das conversas que teve com a ex-presidente, Dilma sabia da existência de recursos não contabilizados. Santana foi mais taxativo que a mulher ao dizer que Dilma tinha sim conhecimento de caixa dois. Ele fez as três últimas campanhas presidenciais do PT: 2006, vencida por Lula, e 2010 e 2014, quando Dilma ganhou.

João Santana disse também que, em conversa com Dilma após a eleição, ela perguntou se a conta Shellbill, usada pelo marqueteiro para receber recursos no exterior, era segura, blindada contra investigações. Os depoimentos fazem parte da ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação da chapa vencedora da eleição presidencial de 2014. Como Dilma sofreu o processo de impeachment no ano passado, a ação poderá, na prática, fazer com que o atual presidente, Michel Temer, que era vice de Dilma, perca o mandato.

O marqueteiro contou ainda que fez uma pesquisa qualitativa com grupos de eleitores indicando que Temer não contribuiria tanto para a campanha, por isso sua participação foi reduzida. Nessa pesquisa, havia inclusive pessoas dizendo ter impressão de que Temer era adepto do satanismo.

Os depoimentos estão sob sigilo. Mas, assim como ocorreu com as audiências de executivos da Odebrecht, parte do que foi falado se tornou público, mesmo devendo ainda ser mantido o segredo. Isso levou o ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE, a fazer uma reprimenda durante os depoimentos desta segunda-feira, cobrando o compromisso de que eles ficassem sob sigilo.

O depoimento foi prestado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia, com a presença do relator no local. Além de João Santana e Mônica Moura, também foi ouvido André Santana, que trabalhava para o casal. Os três firmaram um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), já homologado pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.

Em nota, os advogados Juliano Campelo e Rodrigo Castor, que defendem o casal, informaram que “foram reiterados os termos do interrogatório prestados na semana passada ao Juiz Sergio Moro, complementados com as respostas às demais perguntas formuladas”. Mas não divulgaram o teor dos depoimentos, lembrando que eles estão sob sigilo.

Na semana passada, João Santana e Mônica Moura confirmaram ao juiz Sérgio Moro a interlocução do ex-ministro Antonio Palocci para pagamentos de caixa 2 nas campanhas do PT. Mônica disse que negociou com o ex-ministro os valores não contabilizados a serem pagos na reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010. Mônica disse ainda que Palocci pedia que parte dos pagamentos feitos “por fora” fossem realizados pela Odebrecht.

O julgamento no TSE começaria em 4 de abril, mas, a pedido dos advogados, foi dado um prazo extra para que pudessem se manifestar. Na oportunidade, o tribunal também marcou quatro novos depoimentos. Além de João Santana, Mônica Moura e André Santana, já foi ouvido o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, acusado em delações da Odebrecht de arrecadar recursos para o PT.

Com o fim dos depoimentos já marcados, as defesas poderão pedir contra-provas, para contestar informações dadas pelos depoentes, ou mesmo para solicitar que eles apresentem documentos comprovando as afirmações. O relator pode ou não conceder os eventuais pedidos dos advogados. Em seguida, eles terão prazo de cinco dias para apresentar novas alegações finais.

Mesmo se o julgamento começar em maio, é possível que não seja concluído ainda neste semestre. Há expectativa de ao menos um ministro pedir vista depois do voto do relator, para estudar melhor o assunto. Não há prazo para que ele devolva o caso a julgamento.

O TSE tem sete ministros, que mudam com frequência. Henrique Neves, por exemplo, um dos ministros presentes na sessão do dia 4 de abril, já deixou o tribunal. No lugar dele, Temer nomeou o advogado Admar Gonzaga, que encabeçava uma lista tríplice encaminhada pelo STF. Em 5 de maio, a ministra Luciana Lóssio também deixará o tribunal. Para seu lugar, irá o advogado Tarcísio Vieira. Assim, Gonzaga e Vieira vão participar do julgamento da ação.

Em nota, Dilma disse que João Santana e Mônica Moura faltaram com a verdade, “fazendo afirmações desprovidas de qualquer fundamento ou prova”. Segundo a ex-presidente, tudo indica que os dois foram induzidos a delatar fatos inexistentes para ganhar sua liberdade e atenuar as penas em eventuais condenações.

“Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida respeitada”, diz trecho da nota.

Ela destacou ainda que declarou ao TSE em 2014 gastos de R$ 70 milhões com o casal, sendo “os profissionais de marketing mais bem pagos na história das eleições no Brasil”. Assim, não havia motivo para pagamentos por fora. A ex-presidente criticou ainda o vazamento de trechos dos depoimentos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/dilma-sabia-de-caixa-dois-em-campanha-dizem-joao-santana-monica-moura-21250953#ixzz4fESxF2mk
© 1996 – 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

José Nêumanne

10 Abril 2017 | 10h16

Dom Steiner, da CNBB, maldiz reformas que põem fim a privilégios Foto: André Dusek/Estadão 2014

A pregação dos bispos católicos contra as reformas deixa muito claro que o combate contra as mudanças, que, aliás, tem encontrado eco num Congresso corrompido, suspeito e, sobretudo, pouco representativo, que grupos de parasitas e sanguessugas não aceitam de nenhuma perder privilégios, inalcançáveis pelo cidadão comum, porque insistem em ficar mamando nas tetas do governo e chupando o sangue do povo. Quem combate as reformas são os sindicalistas, os militantes dos partidos que foram despejados do poder, porque estavam comandando um grande assalto aos cofres da República, e os hierarcas católicos. Todos eles são dependentes de imposto sindical, fundo partidário, óbulos e dízimos.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 10 de abril de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir Liberdade, abre as asas sobre nós clique aqui

Íntegra do comentário em texto:

Eldorado 10 de abril de 2017 Segunda-feira

SONORA Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, Imperatriz, 1989

https://www.youtube.com/watch?v=Vypdabo9YUY a partir de 0:20

Segundo a CNBB, reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo do presidente Michel Temer (PDMB), podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão –justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão. Essa pregação ajuda a sociedade brasileira a sair da crise econômica em que ainda está afundada?

De acordo com reportagem publicada pela Uol no fim de semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  se reuniu nas últimas semanas com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e de outras centrais sindicais no debate por uma agenda de mobilização contra as reformas. No último dia 23, a entidade divulgou uma nota em que criticou duramente a reforma previdenciária ao afirmar, por exemplo, que a proposta defendida pelo governo “escolhe o caminho da exclusão social”. “Por que não discutir abertamente com a sociedade temas como esses, mas sem se preocupar em sinalizar apenas para o mercado, e sim, preocupado com o cidadão? Não é possível, a partir de um gabinete, determinar o que um cidadão pode ou não”, afirma o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, 66.

Arcebispo auxiliar de Brasília e desde 2001 secretário-geral da entidade, Steiner deu entrevista à UOL sobre como a representação máxima dos bispos, de um país ainda de maioria católica, pretende atuar em relação às medidas defendidas por Temer, seja em posicionamentos oficiais –além de nota do mês passado, o assunto deve entrar na pauta da Assembleia Geral anual da CNBB, no final deste mês –, seja em ações práticas nas comunidades eclesiásticas –como, por exemplo, a abordagem crítica das reformas em missas.

A pregação dos bispos católicos contra as reformas deixa muito claro que o combate contra as reformas, que, aliás, tem encontrado eco num Congresso corrompido, suspeito e, sobretudo, pouco representativo que grupos de parasitas sanguessugas não aceitam de nenhuma forma as reformas, que continuam sendo necessárias, porque insistem em ficar mamando nas tetas do governo e chupando o sangue do povo. Quem combate as reformas são os sindicalistas, os militantes dos partidos que foram desapeados do poder porque estavam comandando um grande assalto aos cofres da República e os hierarcas católicos. São todos dependentes de imposto sindical, fundo partidário e dízimos. Um dia destes estava no estúdio da TV Gazeta quando o ex-ministro do Trabalho e do Superior Tribunal do Trabalho Almir Pazzianotto esclareceu em poucas palavras essa questão da forma como entendo e infelizmente o povo ainda não compreendeu inteiramente: essa tentativa de satanização do mercado pela CNBB traz a lume a denúncia de Pazzianotto: sindicatos não dão empregos, o que dá emprego e´empresa, ou seja o mercado que o senhor bispo anatemiza. O resto é lorota, Haisem.

O Estadão relatou no domingo que a ex-presidente Dilma Rousseff disse neste sábado temer que seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, seja preso antes da disputa presidencial de 2018, o que, em sua opinião, representaria uma mudança ilegítima nas regras das eleições. “Me preocupa muito que prendam o Lula, me preocupa muito que tirem o Lula da parada”, afirmou em palestra na Universidade Harvard. Ela tem razão?

“Infelizmente para as oposições, ele tem 38% nas pesquisas, com tudo o que fizeram com ele”, afirmou. “É uma possibilidade concreta, meus caros. Deixa ele concorrer para ver se ele não ganha”, ressaltou no Brazil Conference at Harvard & MIT, organizado por estudantes brasileiros nas duas organizações. “Não acho que o Lula tem de ganhar ou perder. Ele tem de concorrer. Se perder, é da regra do jogo.”

Com seu cérebro confuso, Dilma confunde legislação eleitoral com código penal. Lula não disputa uma eleição faz tempo. De fato, ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas de preferência dos eleitores. Mas seu índice de rejeição ronda os 50%. Ou seja as chances de ele ganhar uma eleição majoritária são bastante duvidosas. Ela manipula números com a incompetência com que manobrou a economia no País.

Aliás, a pregação de Dilma no exterior contra as instituições brasileiras é um crime de lesa-pátria com a agravante de que o governo temeroso pagar passagens e hospedagens dela e de uma trupe de militantes antibrasil.

Dilma defendeu uma Assembleia Constituinte exclusiva para realização da reforma política. Segundo ela, a fragmentação partidária tornou o Brasil ingovernável e alimentou o fisiologismo. “Todo mundo quer ter partido para ter Fundo Partidário e tempo de TV. Esse sistema cria mecanismos para que haja fisiologismo e corrupção”, afirmou a ex-presidente, que defendeu o financiamento público de campanhas.

Ou seja, ela está a serviço da corrupção dos partidos por empresários que obtiveram lucros absurdos corrompendo burocratas, parlamentares, governantes e dirigentes partidários. Seu partido, o PT, está sendo alvo de uma investigação de roubo bilionário e isso retira completamente sua autoridade para falar e propor qualquer coisa aqui e lá fora.

Por falar nisso também no sábado e no mesmo encontro acadêmico, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo julgamento da operação Lava Jato em primeira instância e que, ao contrário de Dilma, goza de excelente reputação no Brasil, disse que a prática de corrupção para caixa 2 eleitoral é pior que a corrupção para o enriquecimento ilícito. Será que é mesmo?

Moro disse o seguinte: “Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento”, afirmou. “Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível.”

Moro criticou o Congresso pela não aprovação das propostas do Ministério Público de combate à corrupção, disse que o projeto de abuso de autoridade ameaça a independência de juízes e se colocou contra a proposta de anistia ao caixa 2.

Aplaudido de pé ao entrar no auditório, o juiz disse ter ficado chocado no julgamento de processos com os argumentos dos que tentavam diferenciar a corrupção para benefício pessoal e para financiamento de eleições. “Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia”, afirmou no evento Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido por estudantes brasileiros das duas instituições.” Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral”, ressaltou.

Tenho grande respeito pelo juiz Sérgio Moro e apoio integralmente seu trabalho histórico. Acho também que o apoio da população a esse trabalho é uma prova de que a sociedade brasileira não aceita mais a aceitação passiva e leniente da prática contumaz de corrupção que tem desmoralizado e empobrecido o Estado brasileiro. Tenho dúvidas a respeito dessa gradação e não acho importante discutir se caixa 2 é mais crime ou menos crime do que corrupção. São crimes diferentes e ambos são lesivos ao interesse público. Nesse particular, concordo com o que o jurista Modesto Carvalhosa escreveu frequentemente na página de Opinião do Estadão chamando a atenção para o fato de que o enriquecimento ilícito é um crime pessoal, penal. E o de caixa 2, um crime contra o sistema. O empresário que sonega impostos viola o princípio fundamental do capitalismo que é a igualdade de oportunidades. Ao não pagar impostos, ele goza de benefícios não usufruídos pelos concorrentes que pagam honestamente suas obrigações. No caso do político, a corrupção e o uso de caixa 2 são crimes funcionais, que lesam direitos fundamentais da cidadania nos Estados de direito, Pois interfere no resultado de eleições. Dilma, por exemplo, voltou a falar com seu estilo tabitate em eleições, como se a democracia só dependesse do voto. O voto é fundamental. Por isso mesmo, o estelionato cometido em 2014 em sua reeleição não pode ficar sem punição. A chapa Dilma-Temer foi reeleita em 2014 beneficiando-se na maior fraude eleitoral da História do Brasil. Apegar-se à contagem daqueles votos, como ela faz, é um outro crime, agravado pelo fato de que o faz usando dinheiro público para viajar para o Exterior e lá pregar contra nossas instituições.

Você falou em Modesto Carvalhosa. Ele e os juristas Flávio Bierrembach e José Carlos Dias defenderam em artigo na página 2 de sábado do Estadão a convocação de um plebiscito para decidir se se convoca uma constituinte independente ou, em vez disso se elege um Congresso Constituinte como aconteceu em 1988. Você acha a proposta viável?

O artigo é lúcido e primoroso. Vou ler alguns trechos para que você e os ouvintes tenham uma ideia das verdades que ele traz. Cito: Os constantes escândalos comprovam a inviabilidade do vigente sistema político-constitucional. Ele representa um modelo obsoleto, oligarca, intervencionista, cartorial, corporativista e anti-isonômico, que concede supersalários, foros privilegiados e muitos outros benefícios a um pequeno grupo de agentes públicos e políticos, enquanto o resto da população não tem meios para superar a ineficiência do Estado e exercer seus direitos mais básicos.

A Constituição de 1988 transformou a burocracia num obstáculo perverso ao exercício da cidadania. Ela é fruto de um momento histórico bastante peculiar, o fim de um regime de exceção, que não corresponde mais à realidade do Brasil; representa um conjunto de interesses e modelos que já em 1988 estavam em franca deterioração no mundo civilizado.

Por ser um compromisso de interesses entre as forças que disputavam o poder após a ditadura, a Carta de 88 foi recheada de casuísmos e de corporativismos. Estabeleceu um absurdo regime político que se nutre de um sistema pseudopartidário, excessivamente fragmentado e capturado por interesses de corporações e de facções político-criminosas. Isso torna excessivamente custosa a governabilidade, criando uma relação tóxica entre os Poderes, o que favorece a corrupção, o tráfico de influência e os rombos devastadores nas contas públicas.

Concordo com tudo o que nele está escrito, convoco sua leitura e termino citando seu último parágrafo como uma bandeira: Impõe-se, enfim, uma mobilização da sociedade civil e organizada que exija do Congresso Nacional a realização de um plebiscito, nos termos da Lei 9.709/98, para que o povo decida, soberanamente, se quer uma Assembleia Constituinte originária e independente, que estabeleça as novas estruturas para o desenvolvimento sustentável do nosso país, num autêntico Estado Democrático de Direito.

Diante do horror que é o quadro institucional do Brasil hoje concordo que é uma utopia. No entanto, é o certo. E precisamos lutar para que isso se realize. Pois não vejo outro caminho para sairmos desta situação de servidão em que o cidadão brasileiro vive hoje submetido a uma casta de políticos, burocratas, militantes, líderes sindicais e chefões religiosos que só querem saber de manter seus privilégios.

SONORA Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, Imperatriz, 1989

https://www.youtube.com/watch?v=Vypdabo9YUY a partir de 0:20

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Dom Steiner, da CNBB, maldiz reformas que põem fim a privilégios Foto: André Dusek/Estadão 2014