O candidato Ciro

por Felipe Moura Brasil

O ex-ministro dos governos de Itamar Franco e Lula e pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT-CE), em participação no programa ‘Pânico’, da rádio Jovem Pan, ecoou a narrativa do PT em diversos pontos:

– Defendeu Dilma Rousseff do impeachment, alegando que manobras contábeis do governo não configuram crime de responsabilidade;

– Defendeu Lula da sentença de condenação proferida por Sérgio Moro no caso do triplex, alegando que o juiz escreveu 238 páginas por não ter uma que fosse a prova cabal da corrupção passiva e da lavagem de dinheiro de propina do petrolão;

– Acusou Moro, na prática, de ter cometido um crime ao divulgar a conversa interceptada de Lula e Dilma sobre o termo de posse;

– Criticou a ordem de condução coercitiva de Lula sem intimação anterior.

Mesmo assim, Ciro:

– Ironizou os R$ 9 milhões de aposentadoria de Lula;

– Declarou apoio a Lava Jato;

– Celebrou as prisões dos peemedebistas Sérgio Cabral e Eduardo Cunha;

– Chamou o chefe da Casa Civil de Eliseu “Quadrilha”;

– Disse que teria votado pelo prosseguimento da denúncia contra Michel Temer porque caberia ao STF julgar, mas que ela tampouco continha a prova cabal da corrupção passiva, ainda que o presidente seja mesmo “chefe de quadrilha”, segundo Ciro.

O pré-candidato ainda buscou se distinguir de petistas e tucanos:

“Eu nunca aceitei que o Brasil tivesse que optar entre PT e PSDB. Eu fui fundador do PSDB, eu ajudei fazer o [Plano] Real; e eu ajudei o PT. São iguais: um com uma nuance mais de eficiência econômica, o outro com uma nuance mais de apelo social, mas a economia política, o modelo de compreensão das coisas no Brasil e as práticas são rigorosamente iguais.”

Sobre a igualdade das práticas, eis o exemplo dado por Ciro:

“O Marcos Valério, [operador] do mensalão, foi recrutado pelo [banqueiro] Daniel Dantas porque, para os políticos do PT de São Paulo, [isto] era aparentemente o crime perfeito. Por quê? Porque [o Marcos Valério] era o operador do PSDB. Então, se eu capturo você que trabalhava para o meu adversário, e você vem fazer para mim a mesma coisa, o outro não vai jamais denunciar.”

Ciro também falou do quadro eleitoral de 2018:

“Ninguém chega como favorito. O Lula sabe disso, por isso vai pensar muito se será candidato ou não. Porque o Lula tem uma situação muito peculiar, qual seja: ele é 100% conhecido, está no Jornal Nacional todo dia; preferido por 30% e rejeitado por 50%. Então esse é um candidato que parte bem e não chega, porque o segundo turno praticamente é hostil a ele por conta da rejeição. E o Lula é o mais esperto de todos.

Ele sabe bastante bem que ele precisava construir uma narrativa de vítima, de perseguição, para ‘coesionar’ o PT, que estava se esfarinhando, e segurar a tropa para ele chegar com alguma força lá na frente. Acho, porque tenho uma admiração pela inteligência dele, que ele próprio perceberá que não vale a pena. Se ele chegar a essa conclusão, que é o meu cálculo, o que acontecerá? Você terá cinco candidatos na faixa de 15% a 6%, portanto uma eleição completamente aberta que será definida no debate.”

Provocado como alguém que conta com a própria “eloquência” para se beneficiar deste cenário, Ciro preferiu corrigir, alegando que, na verdade, tem “conteúdo”.

Nessa linha, aliás, aproveitou para afetar superioridade a Jair Bolsonaro, ao avaliar o crescimento do deputado nas pesquisas, apontando seu “despreparo”:

“Ele toscamente responde a duas grandes questões da sociedade: uma a violência, a segunda a corrupção. Só que esses dois problemas não são resolvidos com frase-feita.”

Muito menos, certamente, fazendo vista grossa aos crimes de Lula e Dilma.

felipemb@oantagonista.com

Quem foram os presidentes que não concluíram o mandato e por quê

Michel Temer (PMDB) completou nesta sexta-feira um ano e uma semana desde que assumiu interinamente a Presidência da República. Pela segunda vez em um ano, o País tem presidente ameaçado de cair. Presidente não concluir mandato no Brasil não chega a ser propriamente novidade. Aliás, é algo que vem desde a fundação da República e atravessou a história do País. Dos dez presidentes efetivos que não terminaram o período de governo, seis caíram em função de crises políticas. Veja quem foram e quais as motivações.

Marechal Deodoro: primeiro presidente renunciou

1. Deodoro da Fonseca
Período de governo: 15 de novembro de 1889 a 25 de fevereiro de 1891
Via para a Presidência: tomada do poder (1889) e eleição indireta (1891)
Fim do mandato: renúncia
Contexto: havia intensa crise política. Deodoro fechou o Congresso, censurou a imprensa e prendeu líderes oposicionistas. A crise só aumentou e ele renunciou, com a frase: “Assino a carta de alforria do derradeiro escravo do Brasil”.

 

 

 

Afonso Pena morreu durante o mandato

2. Afonso Pena
Período de governo: 15 de novembro de 1906 a 14 de junho de 1909
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: morte por pneumonia

 

 

 

 

Washington Luís foi deposto por Vargas

3. Washington Luís
Período de governo: 15 de novembro de 1926 a 24 de outubro de 1930
Via para a Presidência: eleição direta na qual foi candidato único
Fim do mandato: deposição pela Revolução de 1930

 

 

 

 

Vargas cometeu suicídio em meio a crise e pressão por renúncia

4. Getúlio Vargas
Período de governo: 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945 e 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954
Via para a Presidência: tomada do poder (1930), eleição indireta (1934) e eleição direta (1950)
Fim do mandato: suicídio em meio a crise política

 

 

 

 

 

Café Filho se afastou por problema de saúde e foi proibido de voltar

5. Café Filho 
Período de governo:
 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955
Via para a Presidência: vice que assumiu com a morte de Vargas
Fim do mandato: impeachment
Contexto: Juscelino Kubitscheck foi eleito, mas havia pressão para que não fosse dada posse. Em meio à crise, Café Filho teve distúrbio cardiovascular e se afastou em 8 de novembro de 1955. Tomou posse o presidente da Câmara, Carlos Luz. Acusado de conspiração para não deixar JK assumir, foi deposto pelo ministro da Guerra, marechal Henrique Lott, em 11 de novembro, três dias após assumir. O impeachment foi aprovado pelo Congresso Nacional, sob pressão das Forças Armadas. Tomou posse o 1º vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.

Café Filho se restabeleceu e tentou reassumir o cargo. Lott o vetou e o Congresso, em 22 de novembro, aprovou o impeachment de Café Filho. Foi decretado estado de sítio até a posse de Kubitscheck. O episódio ficou conhecido como golpe preventivo, com objetivo de assegurar a legalidade.

 

Jânio: renúncia em manobra política frustrada

6. Jânio Quadros
Período de governo: 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: renúncia
Contexto: a renúncia era manobra para tentar retornar ao cargo com mais poderes. Não deu certo.

 

 

 

 

Jango foi deposto pelos militares que instalaram a ditadura

7. João Goulart
Período de governo: 8 de setembro de 1961 a 31 de março de 1964
Via para a Presidência: vice que assumiu após renúncia de Jânio
Fim do mandato: deposto pelo golpe militar de 1964
Contexto: acusado de ser comunista e em meio a medidas polêmicas e consideradas radicais, foi deposto pelas Forças Armadas que instituíram ditadura militar

 

 

 

Segundo dos generais ditadores afastou-se após derrame

8. Costa e Silva
Período de governo: 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969
Via para a Presidência: eleição indireta
Fim do mandato: afastamento após derrame cerebral. Morreu meses depois

 

 

 

 

Collor renunciou no dia em que sofreria impeachment

9. Fernando Collor de Mello
Período de governo: 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: renúncia na data da votação do impeachment
Contexto: alvo de denúncias de corrupção, renunciou na última hora para tentar preservar os direitos políticos, o que não conseguiu.

 

 

 

 

Dilma sofreu impeachment há um ano e uma semana, em crise ainda não encerrada

10. Dilma Rousseff
Período de governo: 1º de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: impeachment
Contexto: em meio a denúncias de corrupção, foi acusada de manobras fiscais e teve impeachment aprovado no Congresso.

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Defesa de Aécio pede que Gilmar seja relator de inquérito contra tucano
Advogado alega que fatos investigados não têm relação com a Operação Lava Jato

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Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo
30 Junho 2017 | 22h58
BRASÍLIA – A defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu nesta sexta-feira, 30, que um inquérito instaurado contra o tucano com base na delação da Odebrecht seja retirado do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e redistribuído para o ministro Gilmar Mendes.
O inquérito em questão diz respeito a acusações contra o senador por causa de obras nas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Estado de Rondônia.
Segundo a defesa do tucano, os fatos investigados não trazem “qualquer relação” com os fatos apurados no âmbito da Operação Lava Jato, da qual Fachin é relator. Além disso, o senador alega que esse inquérito possui “íntima relação” com um outro processo, de relatoria de Gilmar, que apura irregularidades no setor elétrico – no caso, Furnas.

“O cotejo entre ambas as portarias de instaurações — conforme detalhadamente realizado na petição nº 19560/2017 — não deixa dúvidas”, diz o advogado Alberto Zacharias Toron, que representa o tucano.

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Gilmar já é relator de um outro inquérito instaurado contra o tucano com base na delação da Odebrecht, que foi redistribuído por determinação da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.
O caso diz respeito à acusação de que o Aécio recebeu em 2014 valores indevidos pelo grupo Odebrecht para a sua campanha eleitoral. De acordo com delatores, os pagamentos teriam sido feitos de forma dissimulada por meio de contratos fictícios firmados com a empresa PVR Propaganda e Marketing Ltda. O tucano nega as acusações.
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Aécio está com medo de ser preso

14/06/2017 – 03h37

Ricardo Noblat

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) chorou, ontem, ao saber que a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), formada por cinco ministros, decidiu manter presa por 3 votos contra 2 sua irmã e principal assessora, Andrea Neves, suspeita de envolvimento no caso do pagamento de propinas a políticos pelo Grupo JBS.

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Dizem colegas de Aécio que ele está inconformado com a situação da irmã e com muito medo de também ser preso em breve. Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, reiterou ao STF o pedido de prisão de Aécio. E no próximo dia 20, os mesmos ministros que negaram a liberdade à Andrea julgarão o pedido feito por Janot.

Foi por isso que Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, reuniu-se, ontem, com o ministro Edison Fachin, relator da Lava Jato no STF. A informação oficial foi de que os dois conversaram sobre a decisão de Fachin de afastar Aécio do mandato. Mas eles trocaram ideias também sobre a possibilidade de Aécio ser preso.

Se a prisão dele for aprovada pelo STF, o Senado terá que dar ou não autorização para que ela se consuma. Foi assim no caso do ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), então líder no Senado do governo Dilma. Com uma diferença: acusado de obstrução da Justiça, Delcídio foi preso em flagrante. No mesmo dia, o Senado avalizou a prisão.

Em troca do apoio do PSDB ao governo Temer, o PMDB, dono da maior bancada no Senado, prometeu votar ali contra a cassação do mandato de Aécio e contra também um eventual pedido de autorização para que ele seja preso. Embora afastado do mandato, Aécio continua recebendo salário e os demais benefícios como senador.

Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)

 

Em entrevista, esta manhã, tratamos dos institutos do “recall” e do parlamentarismo como soluções eficazes para resolver os graves problemas políticos, principalmente relacionados à presidência da República.

 

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Duque afirma que Graça Foster acertou propinas para o PT

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás depõe ao juiz Sérgio Moro como réu em ação penal por corrupção em contrato da italiana Saipem e, pela primeira vez, surge uma acusação à ex-presidente da estatal petrolífera

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

09 Junho 2017 | 18h48

Foto: Fábio Motta/Estadão

O ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato afirmou ter acertado propinas de 0,5% para o PT, a pedido da então presidente da petrolífera e Graça Foster, em contratos entre a estatal e a empresa italiana Saipem, para a qual ele foi chamado para atuar. Na ocasião, segundo Duque, ela era diretora de Gás e Energia da Petrobrás.

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“Eu conversei com José Eduardo Dutra (primeiro presidente da petrolífera no primeiro governo Lula, em 2003) e trouxe pra ele essa questão dos dois projetos que a Saipem queria que eu participasse e que queria esse apoio na Petrobrás. Pedi para que conversasse com Graça para que se ela ajudasse a Saipem nesses dois processos, haveria uma participação de 0,5% do contrato para o PT”, relatou Renato Duque.

Ele disse que, após a conversa com Dutra , que também foi presidente do PT, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster, recebeu a resposta positiva para o pagamento de propinas.

“O Dutra conversou com a Graça e voltou com a resposta afirmativa: ‘Está de acordo, vai ajudar no que puder, e fica certo 0,5% para o PT. E tem outra demanda. Que você separe 2 milhões de dólares. Um pra mim e um pra ela. O meu eu vou precisar em 2014 pra campanha em Sergipe. O dela eu não sei qual vai ser a destinação’”.

Apesar do suposto acerto, Duque afirmou que o pagamento ‘não se concretizou’.

O ex-diretor da Petrobrás ainda relata ter tido uma reunião com Graça Foster em época anterior ao suposto acerto.

“Graça Foster, quando ela assumiu a diretoria de Gás e Energia, ela me chamou no gabinete e disse: ‘eu sei que foi feito, que é feito, e eu sei o que tem que ser feito. Eu só não sei fazer. Eu só preciso da sua ajuda para que isso aconteça’.”

O depoimento foi dado na ação movida pelo Ministério Público Federal na qual Duque é acusado de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Segundo a Lava Jato, Duque integrou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para favorecer a italiana Saipem na contratação de obras da Petrobrás.

Os procuradores sustentam que o ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera e outros acusados se utilizaram de transações bancárias nas contas da Hayley/SA, offshore uruguaia que mantinha contas na Suíça e que, posteriormente, remetia os valores como simulação de investimentos na sua subsidiária Hayley do Brasil.


COM A PALAVRA, GRAÇA

A reportagem fez contato com a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster. O espaço está aberto para manifestação.

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operação Lava Jato

Diretas, Já! O trunfo de Temer

01/06/2017 – 05h55

Ricardo Noblat

O que une neste momento Temer e Lula, o PT e os que ainda defendem dentro do Congresso a permanência do presidente investigado pelo Supremo Tribunal Federal?

Lula e o PT pregam eleições Diretas, Já! para que possam sonhar com a volta ao poder. Temer e seus apoiadores acenam com o risco das Diretas, Já! para não largarem o poder.

Foi por isso que o governo liberou sua tropa para que aprovasse, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a proposta do senador José Reguffe (DF-sem partido) que prevê Diretas, Já!, se vagarem nos três primeiros anos de mandato os cargos de presidente e vice-presidente da República.

Ou seja: se o Congresso aprovasse a Emenda Reguffe e Temer deixasse a presidência ainda este ano, haveria Diretas, Já!, para a escolha do seu substituto que governaria até 31 de dezembro de 2018.

Para que vá adiante e vire um fato consumado, a emenda terá que ser votada pelo Senado em dois turnos e depois também em dois turnos pela Câmara dos Deputados. E aprovada nas duas Casas por 3/5 dos votos de cada uma.

Seria difícil aprová-la sem modificações? Seria. Mas deixará de ser impossível se depender de um presidente acuado, de uma crise que se aprofunde e de políticos que aspiram à reeleição.

Por ora, o apoio da base do governo à Emenda Reguff é para tocar terror nos que receiam uma eventual candidatura de Lula. Não sem propósito, a Emenda Reguff já passou a ser chamada no Congresso de Emenda Fica Temer.

Michel Temer, presidente da República, um tanto quanto irritado (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)Michel Temer, presidente da República (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)