Em texto veiculado na página que mantém na internet, o ex-presidenciável tucano José Serra, normalmente ácido em relação ao governo, abriu uma exceção:

“Achei a decisão do Banco Central de diminuir os juros em 0,5 ponto percentual correta.” Por quê?

“Os juros futuros estavam caindo, a pressão das commodities sobre a inflação, diminuindo em razão da crise internacional, e a economia desacelerando.”

Serra destoou de seus colegas de oposição, que enxergaram na decisão um sinal de desapreço do governo pela autonomia gerencial do BC.

“Não vejo nenhum problema especial quanto à da taxa de credibilidade do Banco Central”, anotou.

“Quer dizer que um BC só ganha credibilidade, ou a mantém, quando promove o aumento dos juros?”

Serra desqualificou outra tese encontradiça nos lábios de oposicionistas: a de que Dilma Rousseff e Guido Mantega teriam pressionado o BC.

“Não vejo maior problema no fato do ministro da Fazenda e da presidente da República conversarem com o BC e expressarem seu pensamento…”

“…Isso acontece em todos os países do mundo. Alguém acha que nos Estados Unidos ou no Chile é muito diferente?…”

“…Por um acaso um presidente ou ministro são cassados quando se trata de expressar a sua opinião sobre juros? Isso é uma tolice.”

Desde que foi derrotado por Dilma nas urnas do ano passado, é a primeira vez que Serra dedica à gestão da ex-rival palavras elogiosas.

FHC vem pregando a busca de “convergências”.

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