Daniela Kresch, O Globo

Do lado palestino, esperança e ansiedade. Fortes sentimentos embalam a decisão do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de apelar ao Conselho de Segurança da ONU para que reconheça, à revelia de Israel, a Palestina como um Estado independente na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental.

O pedido formal, que deve ser feito no próximo dia 23, pode entrar para as páginas da História como passo definitivo na luta dos palestinos por uma nação, a 194 das Nações Unidas. Mas a manobra também tem o potencial de incendiar o Oriente Médio e causar uma nova intifada contra Israel ou mesmo uma guerra regional.

Os dois lados se preparam para uma semana de incertezas e negociações de bastidores. Para Israel, EUA e União Europeia, Abbas comete um erro – eles defendem negociações diretas como a única maneira de alcançar a paz.

Os palestinos, no entanto, alegam que não há como negociar com o governo direitista do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Caso o pedido seja aprovado por maioria na Assembleia Geral, os Estados unidos prometem vetá-lo no Conselho de Segurança. E, na tentativa de buscar uma opção palatável a todos, os europeus defendem a “Opção Vaticano”: a elevação do status dos palestinos a “Estado observador”, uma alternativa que também preocupa os israelenses, uma vez que os palestinos passariam a ter acesso a organismos da ONU como o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda.

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