Manchete – Dilma: a busca da verdade agora é decisão de Estado

Investigação de crimes da ditadura não abriga ressentimentos, diz presidente
Numa cerimônia histórica, ao lado de quatro de seus antecessores, a presidente Dilma Rousseff, ex-guerrilheira presa na ditadura militar, instalou ontem a Comissão da Verdade, criada para apurar violações de direitos humanos de 1946 a 1988. Sem conter as lágrimas, Dilma destacou que a iniciativa é um esforço de Estado para revelar a História recente do país, sem revanchismo. “A palavra verdade é o contrário da palavra esquecimento. Não abriga ressentimento, ódio nem perdão”, afirmou. Diante dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique e Lula, Dilma destacou o papel de cada um deles para que o Brasil instalasse a comissão, citando também Tancredo Neves e Itamar Franco. Chorou ao lembrar os que morreram na luta contra a ditadura, disse que as famílias de mortos e desaparecidos merecem conhecer a verdade, e, num recado aos militares que resistiram à comissão, disse que a ignorância sobre a História não pacifica, mas, ao contrário, mantém mágoas: “O Brasil merece a verdade.” Na primeira reunião, a comissão não definiu se apurará também ações da esquerda. (Págs. 1, 3 a 10 e Merval Pereira)
Fotolegenda: O Choro: “Se existem filhos sem pais, nunca pode existir uma História sem voz”.
‘Assim como respeito e reverencio os que lutaram pela democracia (…), também reconheço e valorizo pactos políticos que nos levaram à redemocratização’
‘A ignorância sobre a História não pacifica, pelo contrário, mantém latentes mágoas e rancores’ Dilma Rousseff, presidente

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