Articulada pela Aliança Liberal, oposição vai de
Vargas e Pessoa contra os candidatos de Washington Luís em 1930. Fala-se
até em movimento armado em caso de derrota  
A apenas cinco meses da eleição para presidente e vice-presidente da República, a chapa oposicionista formada pelos candidatos Getúlio Vargas e João Pessoa vai ganhando alma e corpo no cenário político brasileiro. A recém-criada Aliança Liberal, liderada pelo Partido Republicano Mineiro e pela Frente Única Gaúcha (composta pelos partidos Libertador e Republicano Rio-Grandense), já espalha suas tenazes contestadoras por todo o país. Além do apoio vindo de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, o movimento já recebeu adesão da maioria das oposições estaduais, incluindo o Partido Democrático de São Paulo e o Partido Democrático do Distrito Federal, e promete uma reviravolta na eleição de 1º de março de 1930. Já o presidente Washington Luís mantém firme a indicação do presidente de São Paulo, Júlio Prestes, para sua sucessão no ano que vem– indicação essa, justamente, a causadora de toda a celeuma que hoje anima a política naciona e a contagem regressiva paa a eleiçãol, por romper subitamente a política do café com leite e conclamar mineiros e gaúchos contra os paulistas.

No final do mês passado, em convenção no Rio de Janeiro, os articuladores das candidaturas Vargas e Pessoa homologaram a chapa e aprovaram seu programa de governo, preparado e redigido pelo republicano gaúcho Lindolfo Collor – que também é diretor do jornal A Pátria, porta-voz oficial da coligação. Entre as principais diretrizes aliancistas estão a criação de uma Justiça Eleitoral, a representação popular pelo voto secreto, a independência do Judiciário e a anistia para os revolucionários de 1922 e 1924. A plataforma prevê também uma ampliação das medidas protecionistas para bens de exportação para além do café. Além disso, traz uma série de regulamentações para proteger e beneficiar os trabalhadores, como regras para trabalho do menor e da mulher, uma lei de férias e a extensão do direito à aposentadoria.

 
Getúlio e Pessoa: a chapa está formada
Em meio ao fogo cruzado, contudo, Getúlio Vargas e Washington Luís estabeleceram nos bastidores um acordo de cavalheiros. Foi acertado que, em caso de derrota da oposição, o gaúcho aceitaria o resultado e apoiaria o novo governo de Júlio Prestes. Em contrapartida, o governo federal assumia o compromisso de reconhecer a vitória dos candidatos aliancistas na eleição para a Câmara dos Deputados e não apoiar a oposição gaúcha. Mas não são todos os integrantes da Aliança Liberal que comungam dessa idéia. Uma corrente mais radical do movimento, que conta com políticos como Oswaldo Aranha, Virgílio de Melo Franco e João Neves da Fontoura, já começa a alardear que, na hipótese fatídica de derrota nas urnas, um movimento armado seria a solução. Já teria sido feito até um contato com os tenentes, que ainda gozam de prestígio nas fileiras do Exército e que têm em seu histórico notório pendor às revoluções. Novidades poderão surgir a qualquer momento.

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