Relembrando os amigos

 Fortaleza proporcionou-me o estudo indispensável. Era a Fortaleza em desenvolvimento com a antiga Praça do Ferreira, o Abrigo central, a Brodway, a esquina do pecado, as tabacarias e os ambulantes, a coluna da hora , os estudantes do Liceu e as moças da Escola normal. E foi esta Fortaleza que me abrigou na Faculdade de Medicina para outorgar-me o titulo de doutor, brasão que abracei com todo ardor e confiança , fazendo o juramento intimo e solene de defendê-lo, ama-lo e respeita-lo por toda a existência.

A par das atividades médicas propriamente ditas, ingressei na vida pública ocupando cargos dignificantes , chegando a grande honraria de ser agraciado com o titulo de cidadão fortalezense. Faltava-me,  entretanto, algo para realizar um grande  sonho, o de escrever um livro de memórias.

Hoje, emocionado,  venho lançar o meu modesto trabalho “Memorias de um tempo fugaz”.

Não me considero um escritor ou memorialista. Mas, incentivado por amigos, colegas e familiares, passei a escrever pequenas crônicas, recheadas de historias que vivenciei em minha infância e  adolescência e na vida profissional.

Fiz questão de limitar os fatos narrados, todos reais, àqueles em que eu figurei como um participante ativo. Além disso, e sempre que possível, acompanhei as narrações com documentação fotográfica. Colhi depoimentos de familiares e amigos. Recordei passagens importantes da minha infância, como a subida a cavalo na rota da Serra dos Bastiões, acompanhando meu avô Honorato. Entrevistei minha mãe Natalia, que prestou depoimento importante sobre a invasão de Lampião a Mossoró e contou com riqueza de detalhes sua viagem de trem naquela ocasião a Areia Branca. Relembrei a Fortaleza da minha adolescência e do início de minha vida profissional. Minhas várias atividades na capital e em Iracema foram também registradas. Esse processo ajudou-me a rememorar passagens de minha vida que talvez pudessem ficar relegadas ao esquecimento.

Retratando fatos, alguns até pitorescos, nas várias entidades de classe como Centro Médico, Clube do Médico, CREMEC, COOPEGO, SOCEGO e  outros , ou  em instituições públicas onde exerci cargos públicos:  Merenda Escolar, IJF, Secretaria de Saude, Prefeitura de Iracema, ou ainda em Associações comunitárias como o Lions Clube,  o livro passa a ser um pouco autobiográfico e serve como uma recordação salutar do muito que procurei realizar, embora sem atingir a plenitude dos meus sonhos.

14 junho, 2009

NATALIA QUEIROZ MINHA MÃE, FOI ENTREVISTADA EM 1990

ÊSSE TEXTO FOI EXTRAIDO DO MEU LIVRO “MEMORIAS DE UM TEMPO FUGAZ”, QUE  SERÁ PUBLICADO EM BREVE. ESTÁ NA FASE DE REVISÃO PARA DEPOIS IR AO PRELO

– EIS A ENTREVISTA :

P- Onde a senhora estava na véspera do ataque de Lampião a Mossoró? A senhora fugiu no trem para Areia Branca ?

N- Estava na casa do prefeito Rodolfo Fernandes com um grupo de amigos e familiares, todos curiosos com a evolução dos acontecimentos, pois o ataque de Lampião a Mossoró poderia acontecer a qualquer momento.Sei bem que Júlio Maia ( um dos líderes da resistência e primo do Prefeito), chegou e disse que nós tínhamos que ir também para Areia Branca de trem. Continua Natália – os homens estavam se organizando em trincheiras. O prefeito foi muito corajoso, decidido, isso é que é a verdade., Acho que fomos no último trem, já muito lotado. Foi uma verdadeira folia. Eu era muito jovem, claro que estava com medo mas naquela idade tudo era aventura. Eu ainda não conhecia João Almino. Passamos três dias em Areia Branca. Era tanto boato!  As informações eram desencontradas, mas voltamos no primeiro trem.

P- Já sabiam que Lampião havia sido derrotado?

N- deram ordem para a gente voltar, pois Lampião já havia saído, mas tinha sempre aquelas pessoas que duvidavam de tudo. No percurso, acho que já bem perto de Mossoró, avistamos um carro e o trem diminuiu a marcha para saber notícias. Nessa ocasião o pai de Idália, (esposa de Chico Xavier de Queiroz), o senhor Antonio do Carmo, muito nervoso perguntou ao motorista do carro em voz alta, como estava a cidade. O motorista respondeu:- “tudo em paz”, mas ele entendeu “tudo em bala” .Ficou então gritando para o trem parar.E dizia : – Ta vendo, tudo em bala”. Foi um verdadeiro alvoroço. Algumas pessoas choraram, mas o maquinista desceu e foi conversar com o motorista do veiculo ficando esclarecido que estava tudo em paz. O trem prosseguiu viagem.

P-  O trem estava muito cheio ?

N- sim estava mas nem todo o pessoal que tinha ido a Areia Branca voltou naquele dia, alguns ainda permaneceram por vários dias e a cidade de Mossoró ainda passou quase um mês com boatos. Diziam que Lampião ia retornar ou que estava na passagem do rio. Lembro-me de Jararaca na cadeia, fui olhar. Dr. João Marcelino foi o médico que o atendeu. Dizem que Jararaca  foi enterrado vivo, pelos policiais que iam levá-lo para Natal.

P- O que aconteceu após a fuga de Lampião ?

N-  Sim, mas o bando de Lampião fugiu em direção a Jucuri e de lá até a fazenda Veneza, que era uma propriedade de Alfredo Fernandes. O gerente dela era Childerico (Childerico  Fernandes de Souza), primo de seu pai.
Chegaram de manhã cedo (dia 14). A Bebela (Felisbela Rodrigues Fernandes) me disse muito depois o sofrimento que passaram. Acabaram com toda a comida existente lá, estoque de carnes, mataram muitas galinhas a tiro e mandaram fazer comida.  Eram mais de 50 cangaceiros. Saquearam tudo e ainda levaram 15 contos de reis que Childerico estava guardando para compra de umas reses. Bebela me disse também que só conseguiu guardar um queijo que caiu e ela jogou para debaixo de um armário. A certa altura Lampião perguntou se Childerico era primo do prefeito. Ele disse que sim. Não houve confusão por isso, mas  tinha um cangaceiro chamado Massilon que evitou muito as agressões que alguns queriam fazer. Eles ficaram na fazenda por todo o dia 14 e depois seguiram para Limoeiro do Norte.

Concluiu Natália: – eu não conhecia ainda João Almino. Minhas amigas é que falavam dele e diziam que ele era irmão de Celso Almino. Ora, se eu também nem sabia quem era Celso .

10 abril, 2010

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VALMIR ROSA TORRES, COMPANHEIRO DO LIONS CLUBE MARCOU PRESENÇA NO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO MEMORIAS DE UM TEMPO FUGAZ

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