20/02/2013 – 4:26
Convite da Câmara faz Yoani viajar até Brasília

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Josias de Souza

A blogueira cubana Yoani Sánchez será recebida na Câmara, nesta quarta-feira (20), com honras de convidada especial. Visitará o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e, em seguida, participará de uma espécie de desagravo na sala da Comissão de Constituição e Justiça.

Deve-se a iniciativa ao deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). “Fiquei indignado com o que ocorreu em Feira de Santana”, disse ele ao blog. Referia-se ao protesto que, na noite anterior, levara ao cancelamento da exibição do documentário ‘Conexão Cuba’. Dirigido pelo cineasta brasileiro Dado Galvão, o filme traz uma entrevista com Yoani.

“Essa jornalista sofreu uma violência em nosso país. Eu me senti no dever de providenciar uma reparação. Nenhum lugar é mais adequado para isso do que o Congresso. Impediram a exibição do filme de um autor brasileiro e cercearam a manifestação de uma visitante cubana. Que história é essa? Estamos no Brasil. Aqui, a Constituição assegura a liberdade de expressão!”, disse Otávio Leite.

O deputado explicou que o evento da Câmara será público e começará do ponto em que foi interrompido na cidade do interior da Bahia. “Combinamos que será exibido um trecho do documentário ‘Conexão Cuba’. Depois, darei a palavra ao cineasta Dado Galvão. Yoani falará na sequência e responderá a perguntas”.

Otavio Leite não conhecia Yoani senão pelo noticiário. Teve certa dificuldade para localizá-la. Alcançou primeiro com Dado Galvão. Explicou-lhe sua intenção. Informada, a bloqueira hesitou. Só aceitou o convite após conversar três vezes pelo telefone com o deputado.

Antes de dar a palavra final, Yoani consultou-se também com Eduardo Suplicy (PT-SP), que a acompanhara em Feira de Santa na noite anterior, enfrentando os manifestantes que a hostilizavam –a maioria militantes do PCdoB, do PT e do PSOL. No final da tarde, Yoani anotou no Twitter: “Recebi um convite para visitar amanhã a Câmara de Deputados do Brasil, por isso viajarei até Brasília.”

Antes, ela havia veiculado em seu blog, o ‘Generacion Y’, um texto sobre a encrenca da Bahia. Anotou num trecho: “O grupo de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais que alguns poucos adeptos incondicionais do governo cubano.”

Acrescentou: “Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento, impresso e colorido, com lista de mentiras sobre mim, todas maniqueistas e fáceis de rebater numa simples conversa. Repetiam um roteiro idêntico e batido, sem ter a menor intenção de escutar a resposta que eu pudesse dar.”

Yoani teve o cuidado jornalístico de ilustrar sua notícia com um vídeo (veja lá no rodapé). Quem assiste enxerga um grupo de manifestantes enfurecidos diante de uma visitante serena. Inviabilizada a exibição do documentário, tentou-se organizar um debate. De novo: numa ponta, a fúria da falta de argumentos. Noutra, riso e lógica.

Acusada de defender o embargo econômico dos EUA a Cuba, Yoni disse o contrário. Apresentou duas razões para não apoiar o embargo. Afirmou tratar-se de um “fóssil da Guerra Fria”. De resto, serve de muleta para que a ditadura dos irmãos Raul e Fidel Castro justifique suas ineficiências. Falta batata e tomate no meu prato, disse, sob vaias.

A bloqueira cubana vem sendo vaiada e ofendida desde que aterrissou no Brasil, na madrugada de domingo para segunda-feira. Conforme já comentado aqui, a Esquerda Brasileira, que andava sumida, encontrou na visita de Yoani motivação para rugir. Os apupos saíram pela culatra. A milícia pró-Cuba conseguiu levar às primeiras páginas e à abertura dos telejornais uma visita que, sem o barulho, passaria quase despercebida. Viva a democracia!

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