A ÁRVORE DA MINHA MEMÓRIA

Salete Almino (As Traças)

Costumava me afastar

Naquelas distantes manhãs

Pedalando a bicicleta

Em direção à fazenda.

Pela estrada acolhia

A brisa fresca dos campos

O brilho do sol nascente

A paisagem que anunciava

A presença de um bom dia!

Logo desanuviava

A fonte de minhas lembranças

Uma árvore que pendia

E tão torta se tornava

Com seus galhos debruçados

Transformando o ambiente

Numa agradável sombra.

Amparada no seu regaço

Saboreava seus frutos,

Enlevada sentindo

O aroma que dela exalava!

Ouvindo atentamente

O gorjeio da passarada.

O tempo passou

E minha vida, como mudou!

Sinto no meu ser

A presença de outra árvore

Que criou raízes, deu frutos,

Filhos gerados com amor

Que compõem o meu viver!

Hoje volto àquele recanto

Revejo a árvore de outrora

Continua fiel e viçosa

Fornecendo a mesma sombra

E frutos da minha memória.

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