osias de Souza

22/03/2014 03:45

Reprodução de documento exibido pelo Jornal Nacional: preço mais alto

Documento oficial remetido pela Petrobras ao órgão que regula o mercado financeiro nos EUA —SEC, Securities Exchanges Comission— indica que a refinaria de Pasadena, no Texas, pode ter custado mais do que vem sendo divulgado. Na peça, enviada às autoridades americanas em 2007, a estatal petrolífera anota que comprou metade da refinaria por US$ 416 milhões, e não US$ 360 milhões.

Cópia do documento foi exibida pelo Jornal Nacional, na noite desta sexta-feira (21). A Petrobras não quis, por ora, comentar a diferença. Essa primeira transação ocorreu em 2006, ano em que, sob o comando de Dilma Rousseff, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a compra de 50% da refinaria americana, que pertencia à belga Astra Oil.

Decorridos dois anos, em 2008, a sócia belga se desentendeu com a Petrobras. E exigiu que a estatal brasileira adquirisse a outra metade da refinaria de Pasadena. Algo previsto numa das cláusulas do contrato. A Petrobras fez jogo duro. Porém, após travar uma batalha judicial de quatro anos, foi obrigada desembolsar mais US$ 820 milhões, tornando-se proprietária de 100% da refirnaria em 2012.

Tudo somando, a Petrobras pagou mais de US$ 1,2 bilhão por uma refinaria que a empresa belga adquirira em 2005 por US$ 42 milhões. O trecho do contrato que forçou a realização da segunda compra, içando o preço do negócio à casa do bilhão, é uma das cláusulas mencionadas por Dilma Rousseff na nota oficial que divulgou na quarta-feira (19).

Nessa nota, Dilma acusou o então diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, de repassar aos membros do Conselho de Administração da Petrobras, que ela presidia, um parecer “técnica e juridicamente falho”. Instada a explicar por que avalizara um negócio tão ruinoso, Dilma alegou que as “informações incompletas” a induziram a erro.

Deslocado em 2008 para a diretoria financeira da BR Distribuidora, uma das mais importantes subsidiárias da Petrobras, Cerveró, o autor do parecer pichado por Dilma, foi exonerado nesta sexta-feira —com pelo menos seis anos de atraso. Sem muito sucesso, o governo tenta circunscrever o problema à Petrobras.


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