ENTREVISTA

O Brasil mudou naquela época. Havia ordem!

30.03.2014

Francisco Batista

Francisco Batista Torres de Melo
General reformado

1- Como avalia o Brasil 50 anos depois do 31 de março de 1964?

A data é tão importante que todos os jornais, revistas, rádios e TVs estão comemorando, discutindo e apresentando os problemas de 50 anos atrás. Se não fosse importante, ninguém estaria comentando. É importante porque o Brasil mudou naquela época. Antes de 1964 o país estava em uma situação incontrolável. Às moscas. O presidente (Jango) era um homem fraco. Não tinha condições de ser presidente. Esse é o ponto principal. Não foram os militares que fizeram anarquia. Antes de 1964 passamos por várias revoluções e revoltas realizadas por civis. Durante o período militar havia responsabilidade de quem dirigia a coisa pública. Havia ordem, autoridade e respeito. Já imaginou o Brasil de hoje sem Tucuruvi, sem Itaipu, sem o sistema elétrico do Rio Paraná, do Rio Grande? Estaríamos no escuro. Hoje todo o dia é um escândalo. Muitos casos de corrupção e irregularidades. Vivemos uma desordem porque não tem chefe. Estamos em um navio à deriva.

2- Para o senhor os arquivos daquela época deveriam ser abertos?

Podem procurar o que quiserem. Nunca vi tortura. Vejo muita mentira e hipocrisia. Não foi uma época de repressão. Só foram presos aqueles que fizeram arruaça.

3- Como analisa o trabalho da Comissão da Verdade?

Vamos apurar. Não há o que esconder. Guerra é guerra. Quando a bala é de lá pode, quando é de cá não pode? Sou terrivelmente contra a violência e à guerra porque quem faz a guerra é civil. A pior violência que estamos vivendo hoje é a mentira.

4- O Brasil já alcançou a plena democracia?

A democracia depende da cultura, da educação e do cumprimento das leis. Só no Brasil que quadrilhas agem sem lei. Vivemos sem cultura, sem educação e sem Supremo Tribunal Federal. Sem confiança na legislação e com individualismos. A solução é a educação séria, de base e no lar.

LINA MOSCOSO
Repórter

Anúncios