Hébely Rebouças hebely@opovo.com.br
Fábio Lima

Governador diz estar se colocando como “magistrado” em uma aliança de muitos partidos

 

 

O governador Cid Gomes (Pros) disse ontem, em visita ao O POVO, que há nos bastidores políticos uma tentativa orquestrada de desgastar sua relação com o vice Domingos Filho (Pros), que chegou a ser apontado como pivô da decisão de Cid de não renunciar ao cargo. O chefe do Executivo afirma que Domingos não é carta fora do baralho, e continua no páreo pela indicação à candidatura a governador na chapa governista.

Algumas lideranças têm afirmado que, a partir da recusa de Ciro Gomes (Pros) de disputar vaga no Senado, Cid só não encarou o desafio para não ter de ceder as chaves do Palácio da Abolição a Domingos, que ganharia força na condução do processo eleitoral.

Sobre o futuro da aliança que até agora lhe dá sustentação política, Cid adota postura ambígua, e ao mesmo tempo em que questiona a legitimidade de o senador Eunício Oliveira (PMDB) reivindicar a vaga de governador na chapa, admite que o Pros poderá abrir mão de indicar um nome ao cargo. Ele também disse acreditar no peemedebista, “até que se prove o contrário”. Confira trechos da entrevista exclusiva.

O POVO – Tomada a decisão de permanecer no Governo, o senhor já começou a maturar a questão de quem apoiará na sucessão do cargo?

Cid Gomes – Eu não pretendo apontar dedo, tirar carta da manga e definir. Esses processos devem ser compartilhados. Primeiro deve ser tratado um projeto de Ceará, discutido com os partidos, com as forças cearenses, que pensem sobre cada uma das áreas: segurança, saúde, educação, desenvolvimento econômico. Avaliem o que deve ser melhorado, alterado, para na sequencia a gente pensar quais os partidos que vão fazer parte desse projeto e que nome os partidos têm para representá-lo. O processo é democrático. Não serei eu quem vai apontar um escolhido. Não é meu estilo.

 

OP – O senhor cogita, então, que outro partido venha a indicar esse nome, que não o Pros?

CG – É natural que o maior partido da aliança tenha preferência, de apontar o maior cargo em disputa.

 

OP – Nas últimas semanas, sua relação com Domingos Filho ficou em evidência. Há informações no bastidor sobre um possível mal estar entre os dois. Como está a relação? Ele está no páreo rumo ao Governo?

CG – Claro. Se ele desejar, é claro que está. O Domingos é meu amigo de longas datas. Se o Ciro decidiu não ser candidato ao Senado, o que é que tem a ver o Domingos (com o fato de Cid ter resolvido não renunciar)? Isso aí é intriga. O Ceará é muito pequeno para a gente saber as coisas. Tem gente querendo fazer intriga disso.

 

OP – Com que intenção?

CG – Para desgastar a relação dele comigo. Domingos é uma liderança importante, é vice-governador, já foi presidente da Assembleia.

 

OP – Quem estaria fazendo isso?

CG – Não vou apontar o dedo para ninguém, não. Eu digo isso porque já conversei com o Domingos. Estive com ele na quarta, quinta e sexta-feira (passadas). Não vou dar trela para isso, não…

 

OP – Está claro na cabeça de Domingos que há uma tentativa de intrigá-los?

CG – Acho que está, porque foi ele que me disse.

 

OP – E ele está blindado em relação a isso?

CG – Acho que está, porque foi ele que me disse.

 

OP – Ciro disse que sua permanência no Governo seria importante para evitar que o Ceará caísse nas mãos de um aventureiro? A quem ele se referia? (Alguns interpretaram que a declaração foi um recado a Domingos)

CG – Ele está falando do futuro. Do futuro da sucessão.

 

OP – O senhor se sentiu incomodado com o fato de o senador Eunício ter procurado Heitor Férrer, um de seus opositores, para discutir a composição de uma chapa eleitoral?

CG – Eu não… As pessoas têm minha confiança até que provem o contrário. O Eunício me procurou recentemente pedindo o meu apoio para ser governador. Eu não descartei a possibilidade, mas disse que não podia assumir compromisso porque o meu partido também deseja, com o argumento forte de que é o maior partido, que tem mais deputados, mais prefeitos no estado. E é natural que o partido que esteja com maior representatividade dispute o posto principal, que é o de governador. Eu sou franco e sincero com todos que falam comigo. E parto do pressuposto de que quem está conversando comigo é franco, leal e sincero. Até que o Eunício me diga que está procurando adversários, eu vou acreditar que ele está disputando um espaço dentro do nosso espaço de aliança.

 

OP – O senhor continua acreditando nisso?

CG – Continuo, se o que ele me diz é isso… Ele me disse que nunca procurou o (ex-senador) Tasso Jereissati (PSDB), que pretende ter uma aliança conosco. Se ele me disse, eu acredito. Se ele for procurar, essa coisa vai vir a público. Essa coisa de que ele procurou o Heitor, foi o Heitor que disse ou foi Eunício que disse?

 

OP – Os dois.

CG – Os dois? Os dois confirmaram?

 

OP – Sim, embora com versões diferentes.

CG – Então vamos ver… Todo mundo pode conversar com todo mundo, ninguém é impedido de conversar, não. O PDT é meu aliado, como o PMDB também é.

 

OP – Eunício disse só ter sentido condições de procurar Heitor depois da conversa que teve com o senhor, na qual a proposta que ele tinha lhe feito não havia vingado. O senhor dá o rompimento como certo?

CG – Eu não, eu não. A conversa que eu tive com o Eunício foi franca, leal e sincera. (…) Falei que não poderia assumir compromisso com ele por conta de outras pretensões. O maior partido aqui é o Pros, o segundo é o PT e o terceiro é o PMDB. Que argumento você vai usar para os outros dois? O Pros abre mão da principal posição? O PT abre mão e vai entregar ao PMDB, que é a terceira força?

 

OP – O senhor disse isso a ele?

CG – Não do jeito que eu estou lhe dizendo aqui, mas disse. E falei que, naquela data, poderia ser que tivesse alterações e que eu voltaria a falar com ele. Como não houve alterações, não voltei a falar com ele. (…) Vou deixar as coisas tomarem seu caminho natural.

 

OP – O senhor trabalha com a certeza de que não terá uma aliança tão ampla como a que teve em outras eleições?

CG – Nunca participei de uma eleição onde não houvesse mais candidatos do que vaga. Sempre tem mais candidato do que vaga. Esse primeiro impasse pode ser superado no diálogo. Objetivamente, temos quatro pretensões para três vagas, o problema é esse. Vagas de governador, vice e senador. Aí nós temos Eunício, (deputado federal) José Guimarães (PT), senador Inácio Arruda (PCdoB) e Pros pleiteando. Isso é impossível? Eu acho que não. Acho que é muito razoável que a gente consiga compor.

 

OP – O senhor pensa em propor que o Eunício abra mão da candidatura ao Governo?

CG – Por que você coloca desse jeito?

 

OP – Porque o senhor diz que o Pros tem legitimidade de indicar o governador, e o PT e PCdoB falam em Senado.

CG – Não defendi isso (sobre o Pros), eu estou me colocando como magistrado nessa aliança de muitos partidos. E a prioridade é o projeto para o Ceará e a manutenção da aliança.

 

OP – O Pros abre mão de indicar alguém ao governo em nome da manutenção do projeto?.

CG – Você acha que eu tenho outra resposta a não ser “sim”?

 

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