Diretório Nacional do partido define candidata do PSB como conservadora nos direitos individuais, regressiva na reforma política e ortodoxa na economia

Com o reconhecimento de que Marina Silva (PSB) é a principal ameaça à reeleição de Dilma Rousseff (PT), o PT vai elevar o tom dos ataques à ex-senadora, definindo-a como conservadora nos direitos individuais, regressiva na reforma política e ortodoxa na economia – termos usados em resolução aprovada nesta sexta-feira (5) pelo Diretório Nacional do partido, e repetido por Rui Falcão, presidente da sigla, após o fim do encontro.

Um dos objetivos é descolar de Marina – que bateria Dilma por 48% a 41% no segundo turno, segundo o Datafolha – o rótulo de representante da nova política que a candidata do PSB tem reclamado para si.

“Para nós, a nova política é a Dilma, por tudo que ela tem feito, pela defesa dela na reforma política, ouvindo o povo através de uma Constituinte, através de um Plebiscito [ambos propostos após as manifestações de junho de 2013, mas que não foram efetivados], o que é diferente de uma proposta que a gente considera regressiva do ponto de vista político”, disse Falcão.

 
Lula coloca chapéu em Dilma durante comício no Recife (4/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
 

A mudança de tom na campanha do PT tem sido cobrada por parte das alas mais à esquerda do partido, que acusaram Dilma Rousseff de dialogar pouco com os movimentos sociais, não entender a voz das ruas de  e de fazer uma campanha “fria”, incapaz de mobilizar o eleitorado.

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Segundo pesquisa Datafolha feita entre 1 e 3 de setembro, Marina Silva venceria Dilma por 48% a 41% no segundo turno. No primeiro, a petista tem 35% e a pessebista, 34%.

Privatização

Outro objetivo é conseguir colar a Marina imagens que historicamente o PT colou nos candidatos do PSDB, como a de que a candidata do PSB favoreceria a privatização e daria mais poder ao mercado financeiro no comando da economia.

A proposta de reduzir o papel dos bancos públicos na oferta de crédito, como propõe Marina, poderia facilitar a venda das instituições, argumentou Falcão.

“Enfraquecer a Caixa e o Banco do Brasil pode  mais tarde abrir campo para a privatização dessas instituições”, disse o presidente do PT, incluindo a Petrobras na lista de estatais ameaçadas por um eventual governo Marina.

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A proposta de autonomia formal ao Banco Central, também defendida pela candidata do PSB, tiraria o controle popular sobre a política econômica, argumentou Falcão.

“No nosso entendimento, [a autonomia formal do BC] significa você suprimir das pessoas que são eleitas pelo povo (…) a formulação da política econômica, das intenções do desenvolvimento para alguém que não é eleito, que vai ter mandato definido e que provavelmente será um represetante do sistema bancário-financeiro”, disse Falcão.

Já as propostas de reforma política de Marina – como a implementação de um mandato de cinco anos para presidente e a coincidência das eleições que hoje acontecem a cada dois anos – foram apresentadas como prejudiciais à democracia.

“É um projeto antipopular, antinacional, é um projeto ortodoxo do ponto de vista da economia, conservador do ponto de vista dos direitos individuais, regressivo do ponto de vista da reforma política e prejudicial aos trabalhadores quando fala explicitamente que não viabilizar a terceirização das atividades-fim emperra o desenvolvimento das indústrias.”

Falcão aproveitou ainda a declaração de apoio à Marina feita pelo  Clube Militar – associação de oficiais da reserva, e que defende o golpe de 1964 como um movimento democrático – para alfinetar a adversária de Dilma.

“São pessoas que não gostam muito da democracia e alguns até tem o pé na ditadura, nas torturas, em tudo o que aconteceu de violento no regime militar. Espero que não sejam esses, não é? Mas é um direito é é um setor que tem influência em algumas corporações aí. Não sei se a candidata dialogou com eles, se vai dialogar.”