Marina tentará formar amplo arco de alianças no segundo turno

PSB já começa a ensaiar aproximação com Alckmin, Ana Amélia e outros interessados em derrotar o PT

POR JÚNIA GAMA E SIMONE IGLESIAS



Marina em Juiz de Fora na última sexta-feira: estratégia para o segundo turno já está sendo montada – O Globo / Pablo Jacob

BRASÍLIA — Mesmo com a queda nas últimas pesquisas de intenção de voto, a campanha de Marina Silva (PSB) continua de olho no segundo turno da disputa presidencial e aposta na conquista dos opositores da presidente Dilma Rousseff, em especial em São Paulo, para chegar ao Palácio do Planalto. Pessoas próximas à candidata já começam a fazer gestões para atrair políticos que podem ajudar a derrotar o PT, principalmente tucanos como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que deverá se reeleger no primeiro turno no maior estado do país.

Desde a semana passada, a própria Marina amenizou as críticas a Alckmin e o distanciamento que vinha mantendo do tucano. Retirou o veto que impunha ao uso de imagens dos dois juntos. Enquanto alguns acreditam que Alckmin cruzará os braços e não ajudará Marina, integrantes do PSB apostam no contrário. O certo é que haverá pressão de socialistas para que Marina saia atrás do voto tucano no segundo turno.

— Ele (Alckmin) poderia fazer isso (cruzar os braços). Mas é um político pragmático. Sem Aécio no segundo turno, ele é, naturalmente, o nome mais forte do PSDB para 2018. Terá um vice-governador do PSB e tentará influenciar dentro do partido por um apoio, já que, se Marina for eleita, tem o compromisso de não disputar outro mandato — disse um dirigente do PSB.

Na avaliação do PSB, conta a favor de Alckmin o fato de que Marina não concorrerá à reeleição, se chegar à Presidência. Assim, deixará o caminho livre para um sucessor em 2018.

— Alckmin vai apoiar Marina porque o PSDB sabe que sua eleição será uma oportunidade de romper com a perpetuação de um partido no poder. Ele está fazendo as contas para 2018 — disse o deputado Júlio Delgado, que integra a direção nacional do PSB.

O candidato a vice-presidente de Marina, Beto Albuquerque, terá um papel importante na formação dessas alianças. Em São Paulo, deve se aproximar de Alckmin para garantir apoio do governador de São Paulo em um eventual segundo turno. Deverá fazer o mesmo no Rio Grande do Sul, onde a senadora Ana Amélia (PP), rejeitada por Marina no início da montagem dos palanques estaduais, pode sair vencedora, como apontam as pesquisas de intenção de voto.

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— O segundo turno é o período da disputa eleitoral propriamente dita. Nosso limite de entendimento para alianças no segundo turno é nosso programa de governo. Mas claro que não tem porta fechada para Geraldo Alckmin — disse Beto Albuquerque.

OBJETIVO COMUM

A avaliação do comando do PSB é que a polarização que ocorrerá no segundo turno, em que o objetivo comum dos opositores será o de derrotar Dilma, poderá ajudar na superação das desavenças externadas por Marina. Nesse raciocínio, integrantes da campanha de Marina sonham em também conseguir o apoio de Aécio Neves para o segundo turno. Avaliam que o tucano, como presidente nacional do PSDB, deverá conversar em busca de ideias convergentes.

— O PSDB, fora do segundo turno, fará uma campanha de rejeição à continuidade de Dilma e do PT. Além disso, há pontos programáticos que nos aproximam, como o controle da inflação e a política econômica. Se chegarmos a acordo sobre alguns pontos, não haverá dificuldade de entendimento — disse um integrante da cúpula do PSB.

‘MÁGOA A GENTE SUPERA’

Integrantes da campanha de Marina dizem que, em um segundo turno contra Dilma, a candidata do PSB deverá subir ainda mais o tom dos ataques contra a presidente, estratégia que pode servir de motivo para a aproximação dos demais partidos. O coordenador da campanha de Marina, Walter Feldman, também aposta em aliança com Aécio Neves.

— O político não pode nunca fechar portas, tem que ter sempre em vista um mandato com unidade para fazer essa transição. A mágoa é um sentimento que a gente supera. A Marina sempre diz que prefere sofrer injustiça do que praticar. As coisas com o Aécio vão se reparar — disse Feldman.

Enquanto Marina irá concentrar sua agenda no segundo turno em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, caberá a Beto Albuquerque mergulhar no Rio Grande do Sul, estado em que Dilma é forte, para conquistar o voto de seus conterrâneos. O discurso de Beto irá focar no bairrismo gaúcho, insistindo que Dilma é mais mineira que gaúcha, e destacando todas as promessas não cumpridas que a presidente teria feito para a região.

— Só tem uma chapa com um gaúcho de verdade, que é a de Marina. Como a chapa de Juscelino Kubitschek com João Goulart de vice, que formou um governo de um líder com visão estratégica com um gaúcho, e fez o Brasil avançar. Mas isso é só mais um item do contexto. Dilma deixou muitas promessas não cumpridas no Sul, como a renegociação da dívida, que leva R$ 2,7 bilhões por ano só de serviço dos cofres gaúchos; não implementou os free shops, continua impedindo investimentos na faixa de fronteira, e nem tem ainda o projeto da Ponte do Guaíba — disse Beto.

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A campanha pretende também usar o apoio de aliados em Pernambuco para reforçar a votação. Está previsto para amanhã um comício de Marina Silva em Recife ao lado da família de Eduardo Campos e do candidato ao governo, Paulo Câmara. A ideia é usar as imagens no programa de TV para aproveitar a popularidade dos familiares do ex-governador depois de sua morte em acidente aéreo.

No segundo turno, Marina deverá repetir a visita ao estado de seu antecessor.

— Pernambuco é o estado do Nordeste onde podemos ampliar a diferença para compensar a desvantagem em outros estados da região. Se Paulo Câmara ganhar no primeiro turno, a campanha se mobiliza ainda mais no estado, porque teremos feito barba, cabelo e bigode — disse Beto.

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