05/10/2014

Olhe, cuide e ame!

O câncer de mama provocou 2.404 mortes no Ceará nos últimos cinco anos. O Ciência & Saúde deste domingo alerta para os cuidados simples e eficazes no diagnóstico precoce da doença

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O Ceará deve finalizar o ano de 2014 com 2.060 novos casos de câncer de mama – segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O número representa uma taxa de 44,78 pessoas acometidas pela doença para cada grupo de 100 mil. Para o próximo ano, o instituto fez prognóstico semelhante. Apesar dos avanços nas pesquisas científicas e da ampliação no número de mamógrafos no Estado, o câncer de mama continua tendo diagnóstico tardio na maioria dos casos – segundo especialistas ouvidos pelo O POVO.

Em todo o Brasil, durante este ano, 57.120 mulheres devem ser diagnosticadas com a doença. Considerando os dez tipos de câncer com maior incidência histórica no País entre as mulheres, as lesões na mama atingem 20,8%. O segundo tipo mais popular, que agride o cólon e o reto, será responsável por 6,4% dos casos (17.530 pessoas). Os números do Inca – instituição de referência para pesquisa e estudo de câncer no Brasil – apenas mostram que nós devemos redobrar o olhar para a saúde do corpo feminino. É preciso cuidar. É preciso amar.
Segundo o médico Érico Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Ceará, a principal razão para mortalidade devido ao câncer de mama ser alta é o diagnóstico tardio. Por receio, por indiferença ou por descuido, muitas mulheres negligenciam a realização periódica da mamografia (exame para a detecção de alterações nos seios) e o autoexame mensal (que é realizado pela própria mulher, em casa).
Em 2013, foram 469 mortes em decorrência da doença no Ceará. A margem vem se repetindo nos últimos cinco anos – 2009 (438 mortes), 2010 (499 mortes), 2011 (499 mortes) e 2012 (499 mortes). São 2.404 óbitos em decorrência do câncer de mama nos últimos cinco anos. Os dados foram enviados ao O POVO pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
“Está faltando diagnóstico precoce. A detecção da doença acontece tardiamente. Quando o câncer está mais avançado, existe uma chance menor de cura e maior facilidade para espalhar a doença em outros órgãos. Isso acontece por falta de realização dos exames, principalmente da mamografia, é claro. Existem tabus. Existem obstáculos. Existe medo. Em relação ao receio de descobrir o câncer, medo de sentir dor, além da associação do câncer com a morte. A questão do diagnóstico está muito relacionada com a própria pessoa”, afirma o chefe do Serviço de Mastologia do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Valdenrique Macedo de Sousa.
Na tentativa de alertar o público feminino para importância da realização periódica de exames e da necessidade de hábitos saudável na vida, existe a campanha Outubro Rosa – que mobiliza múltiplas instituições ao redor do mundo em eventos e ações de conscientização. Ao longo deste mês, O POVO vai contar histórias de mulheres (e homens) que superaram o câncer de mama com audácia, energia e fé. Vamos também mostrar os avanços da medicina no tratamento da doença.
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