PT está ‘preocupadíssimo’, diz empreiteiro

Em anotações atribuídas a Ricardo Pessoa, da UTC, e divulgadas por ‘Veja’, executivo questiona rumos da Lava Jato

Empresário preso pela Polícia Federal afirma que firmas investigadas fizeram doações à campanha de Dilma

DE BRASÍLIAA revista “Veja” divulgou na sua edição deste sábado (10) anotações atribuídas ao empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, segundo as quais ele afirmou que Edinho Silva, tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, estaria “preocupadíssimo” com os desdobramentos da Operação Lava Jato.

Pessoa está preso em Curitiba (PR) desde novembro, acusado de coordenar o “clube” de empreiteiras que prestam serviços à Petrobras em forma de cartel, de acordo com as investigações.

Segundo as anotações, a preocupação de Edinho estaria vinculada ao fato de que as empreiteiras suspeitas de participar do esquema de desvio de recursos da estatal também fizeram doações à candidata petista.

“Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava Jato doaram para campanha de Dilma. Será se (sic) falarão sobre vinculações campanha x obras da Petrobras?”, escreveu Pessoa. “Já pensou se há vinculações em algumas delas. O que dirá o nosso procurador-geral. O STF a se pronunciar”, completou.

À Folha, Edinho Silva disse não ter “absolutamente nenhuma preocupação” com os desdobramentos das investigações. Segundo ele, a arrecadação foi legal e seguiu normas da Justiça Eleitoral, que aprovou as contas “por unanimidade”.

Edinho disse que teve três encontros com Pessoa, entre agosto e setembro passados, para acertar as doações. Segundo ele, não houve referência a obras ou contratos da Petrobras e a UTC não fez repasses apenas ao PT.

No comando do PT, a manifestação do executivo foi interpretada como um recado ao governo de que há disposição para incomodar e, aos empresários, de que há força para tocar os negócios, que estariam sob dificuldades após a operação da Polícia Federal.

O advogado de Pessoa, Alberto Zacharias Toron, disse que as anotações citadas pela revista não passaram pelas suas mãos nem eram de seu conhecimento.

SEM AMEAÇAS

Toron afirmou que Ricardo Pessoa não fez ameaças e interpretou os trechos divulgados como “apenas uma reflexão de alguém que está preso e revoltado, injustiçado, enquanto outros acusados com envolvimento em corrupção, como [o ex-diretor de Serviços da Petrobras] Renato Duque, estão soltos”.

Toron disse ter dificuldades para comentar sobre os bilhetes porque a revista “publicou apenas trechos”. Procurado, o Planalto informou que não iria se manifestar.