Analisemos, agora, a rejeição à presidente Dilma. Primeira mulher a assumir o mais alto cargo da Nação, agregava as condições de grande popularidade. Surgiu no embalo do prestígio do carismático Luiz Inácio e do conceito de ética na política, que o PT encarnava há duas décadas. O escopo de assepsia representado pelo lulopetismo desmoronou com os escândalos do mensalão e, agora, do petrolão.

O Partido dos Trabalhadores, a partir do seu guia, Luiz Inácio, se empenhou nos últimos anos em separar o Brasil em duas bandas: os pobres e os ricos, as elites brancas e os grupos periféricos, nós e eles.
O apartheid acirra os ânimos das duas alas. As classes médias tradicionais repudiam o escopo petista cravado no conflito de classes. No último pleito, o país se dividiu ao meio. E a animosidade se expande na esteira da crise econômica e da crise política.

A presidente Dilma possuía um perfil de gestora técnica. Que foi desconstruído.  As obras do PAC empacaram. Sua índole a afasta da esfera política. Demonstra não ter apetite para conviver com a real politik brasileira.

A nova classe média, formada por grupamentos que ascenderam à classe C, saindo da D, teme perder o que ganhou com a política de redistribuição do lulodilmismo. A carestia ameaça esvaziar o bolso das margens. E o inflamado discurso do PT e da CUT – sob a paisagem de campos e experimentos devastados pelo MST –  é lenha grande na fogueira.

Neste domingo, as ruas se enchem de milhares de pessoas com forte expressão de contrariedade. Não apenas agrupa os habitantes do centro da pirâmide. Conta com uma parcela( menor) das margens. E a razão é: a equação BO+BA+CO+CA( Bolso cheio, Barriga satisfeita, Coração agradecido, Cabeça decidida a apoiar o governante) já não se sustenta. E assim se explica a rejeição à presidente.

Pode ser revertida? Sim, a depender da economia, que é a locomotiva que puxa a vontade (boa, má) do povo.  Nesse momento, não adianta tergiversar. O discurso da presidente no Dia Internacional da Mulher foi um desastre.  Urge trabalhar com a verdade. Mudar posturas. A rejeição à Dilma começa com mudança de atitudes. Dela mesma.