BRASÍLIA – Dirigentes do PSDB e do DEM vão discutir ponto a ponto a viabilidade de propostas da chamada Agenda Brasil, costurada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com ministros da área econômica, e encampada pelo governo para dar à presidente Dilma Rousseff alternativas para sair da crise.

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Entre os tucanos reunidos nesta terça-feira em Brasília com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a interpretação é que as propostas foram gestadas no governo e divulgadas como sendo do Senado para que medidas polêmicas, como o aumento da idade para aposentadoria e o fim da universalização do SUS, possam passar. A princípio, a oposição pode até incluir mais propostas na agenda, mas por enquanto diz que o que passa para a sociedade é que é um “teatro” para desviar o foco da crise e se vacinar contra os protestos do dia 16 de agosto.

– Amanhecemos essa segunda-feira com Renan primeiro ministro. Semana passada era Temer o salvador da pátria, não sabemos quem será depois das manifestações do dia 16. Hoje, para Dilma não cair, Renan assumiu o governo – disse o líder da minoria na Câmara, Bruno Araújo (PSDB-PE).

Embora haja disposição para apoiar medidas que destravem a infraestrutura e aliviem a crise econômica, os tucanos acham que a articulação da Agenda Brasil é estratégia de Renan para se fortalecer para enfrentar o possível indiciamento na Operação Lava-jato. A posição do PSDB sobre a agenda será discutida com as bancadas na Câmara e Senado. Por enquanto, há uma desconfiança sobre sua real implementação.

– O Eduardo Cunha foi para a guerra contra o Ministério Público e o Janot para se safar. O Renan partiu para a solidariedade ao governo e ao Janot para se safar. Não vamos embarcar nisso, não – disse um dos dirigentes tucanos.

Durante a leitura dos 27 itens pelo presidente Renan Calheiros , no plenário, líderes da oposição reagiram:

– Não podemos ser massa de manobra no momento em que a nau naufraga, levada a pique pelo governo Dilma e pelo PT – disse o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB).

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Para o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), a Agenda Brasil não vai adiante se não houver acordo entre líderes das duas Casas. Ele disse que é uma tentativa de dar uma resposta para o dia 16 de agosto.

– É importante que não maquiemos a realidade. Me preocupa esse discurso do Renan, se não for votado, a culpa é do Senado Federal ? Não! É do governo federal. Se a presidente quer se aproximar do Congresso, precisa se entender com as duas Casas, não jogar uma Casa contra a outra. O PT é useiro e veseiro em fazer isso. Não adianta a presidente transferir a crise do Executivo para o Legislativo. Quem cometeu fraude eleitoral, está envolvido em corrupção e trouxe a crise para o país foi o governo do PT. O Democratas está preparado para votar todos os temas, mas não podemos aceitar que a crise nesse país seja provocada pela não-votação dessas matérias – disse Caiado.

JUCÁ: ‘NÃO QUERO AFUNDAR COM O TITANIC’

Um dos formuladores da Agenda Brasil junto com a equipe econômica e senadores, o relator do pacote na comissão especial do Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que a intenção não é salvar a presidente Dilma, mas uma pauta econômica para “tirar o Brasil do buraco” e tranquilizar os agentes econômicos que estão “atônitos” . Posteriormente, disse Jucá, se houver uma decisão política pautada pela sociedade e as ruas, esse pacote pode até beneficiar a presidente.

Ele também rejeitou a interpretação de que o pacote é um sinal para agentes econômicos de que, num eventual governo Michel Temer, o PMDB garantiria a previsibilidade, com regras claras para a economia.

– Cada um lê como quiser. Como disse, eu não quero afundar com o Titanic de camarote. Quero mudar o rumo do navio que está em marcha batida para o iceberg. Quero salvar todo mundo. Se vai salvar Dilma, o povo é quem vai dizer quem vai salvar do navio ou não – disse Romero Jucá.

Segundo Jucá, ao oferecer o pacote de medidas, os congressistas estarão exercendo seu papel de oferecer saídas para o Brasil. Sobre os rumos do mandato da presidente, Jucá avalia que a sociedade decidirá.

– Na política tudo é plausível. Depende do vento vindo do povo. A revolução francesa começou cortando cabeça de escravos e terminou cortando a cabeça de Robespierre. Pense numa coisa complicada esse tal de povo – disse Jucá.

Relator da Comissão Especial encarregada de propor leis para melhorar o ambiente econômico, presidida pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), Jucá disse que 19 medidas já estão em tramitação e outras dependem de iniciativa do Executivo. Uma medida que teria efeito imediato, com entrada de dinheiro no fluxo de caixa do governo, seria a regulamentação da venda de terrenos da Marinha.

– É a maior imobiliária do país. Imagine toda terra na beira de rio, mar e ilhas que existe nessa costa gigantesca. Por projeto de lei o governo pode transformar isso em dinheiro agora – disse Jucá.

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