O que você prefere? Dilma até o fim? Ou a possível volta de Lula?

18/08/2015 – 04h53

Lula (Foto: Arquivo Google)Lula

Ricardo Noblat

Direto ao ponto: é melhor deixar Dilma completar seu mandato. Primeiro porque faltam razões robustas para propor o impeachment dela. Segundo porque a deposição de Dilma poderá fortalecer as chances de uma nova candidatura de Lula a presidente.

É simples assim. Pense bem: Dilma é uma vítima de Lula, concorda? Não tinha preparo para ser ministra de Estado, muito menos presidente da República. Mas se dispôs a servir ao seu mestre que carecia de um sucessor natural.

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No começo do primeiro governo de Lula, havia dois nomes com condições de sucedê-lo: José Dirceu, ministro da Casa Civil, e Antonio Palocci, ministro da Fazenda. O mensalão comeu Dirceu. Farras e negócios com amigos de Ribeirão Preto engoliram Palocci.

Não tem outro, vai tu mesma, Dilma. Com a vantagem de ser mulher em um país que nunca fora governado por uma. Bela jogada de marketing. E com outra vantagem: governaria quatro anos e cederia a vez novamente a Lula.

Jamais Lula perdoará a si próprio por não ter combinado o jogo com Dilma antes de elegê-la. “Aquela mulher…” Foi assim que ele se referiu a ela ao concluir no ano passado que Dilma não abriria mão de tentar se reeleger. Lula ficou furioso. E quase a abandonou.

Uma presidente com taxa de aprovação menor do que a taxa de inflação do país não será um legado capaz de trazer votos para quem a inventou e elegeu duas vezes. Pelo contrário. Será um fardo pesado para qualquer um carregar, mesmo para Lula.

As pesquisas de opinião registram a queda de Lula nas intenções de voto em todo o país. Isso poderia ser revertido se Dilma renunciasse para Temer assumir ou se fosse derrubada. E também se Lula, no dia seguinte, fosse para a oposição ao governo que substituísse o dela.

Alguma dúvida que ele iria? Lula teria pelo menos três anos para se desvincular da herança maldita de Dilma, explorando ainda as dificuldades que um novo governo obrigatoriamente enfrentaria.

Competente, Dilma não é, já sabemos. Mas ladra, também não. Conivente, talvez tenha sido. Para não cuspir em prato que comeu. Nem ser acusada pelos companheiros de trair o projeto de poder do PT. Tudo em nome dos pobres – desde que meu pirão, primeiro!

E então? Alguma ideia melhor?