José Nêumanne

10 Abril 2017 | 10h16

Dom Steiner, da CNBB, maldiz reformas que põem fim a privilégios Foto: André Dusek/Estadão 2014

A pregação dos bispos católicos contra as reformas deixa muito claro que o combate contra as mudanças, que, aliás, tem encontrado eco num Congresso corrompido, suspeito e, sobretudo, pouco representativo, que grupos de parasitas e sanguessugas não aceitam de nenhuma perder privilégios, inalcançáveis pelo cidadão comum, porque insistem em ficar mamando nas tetas do governo e chupando o sangue do povo. Quem combate as reformas são os sindicalistas, os militantes dos partidos que foram despejados do poder, porque estavam comandando um grande assalto aos cofres da República, e os hierarcas católicos. Todos eles são dependentes de imposto sindical, fundo partidário, óbulos e dízimos.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 10 de abril de 2017, às 7h30m)

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Íntegra do comentário em texto:

Eldorado 10 de abril de 2017 Segunda-feira

SONORA Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, Imperatriz, 1989

https://www.youtube.com/watch?v=Vypdabo9YUY a partir de 0:20

Segundo a CNBB, reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo do presidente Michel Temer (PDMB), podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão –justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão. Essa pregação ajuda a sociedade brasileira a sair da crise econômica em que ainda está afundada?

De acordo com reportagem publicada pela Uol no fim de semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  se reuniu nas últimas semanas com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e de outras centrais sindicais no debate por uma agenda de mobilização contra as reformas. No último dia 23, a entidade divulgou uma nota em que criticou duramente a reforma previdenciária ao afirmar, por exemplo, que a proposta defendida pelo governo “escolhe o caminho da exclusão social”. “Por que não discutir abertamente com a sociedade temas como esses, mas sem se preocupar em sinalizar apenas para o mercado, e sim, preocupado com o cidadão? Não é possível, a partir de um gabinete, determinar o que um cidadão pode ou não”, afirma o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, 66.

Arcebispo auxiliar de Brasília e desde 2001 secretário-geral da entidade, Steiner deu entrevista à UOL sobre como a representação máxima dos bispos, de um país ainda de maioria católica, pretende atuar em relação às medidas defendidas por Temer, seja em posicionamentos oficiais –além de nota do mês passado, o assunto deve entrar na pauta da Assembleia Geral anual da CNBB, no final deste mês –, seja em ações práticas nas comunidades eclesiásticas –como, por exemplo, a abordagem crítica das reformas em missas.

A pregação dos bispos católicos contra as reformas deixa muito claro que o combate contra as reformas, que, aliás, tem encontrado eco num Congresso corrompido, suspeito e, sobretudo, pouco representativo que grupos de parasitas sanguessugas não aceitam de nenhuma forma as reformas, que continuam sendo necessárias, porque insistem em ficar mamando nas tetas do governo e chupando o sangue do povo. Quem combate as reformas são os sindicalistas, os militantes dos partidos que foram desapeados do poder porque estavam comandando um grande assalto aos cofres da República e os hierarcas católicos. São todos dependentes de imposto sindical, fundo partidário e dízimos. Um dia destes estava no estúdio da TV Gazeta quando o ex-ministro do Trabalho e do Superior Tribunal do Trabalho Almir Pazzianotto esclareceu em poucas palavras essa questão da forma como entendo e infelizmente o povo ainda não compreendeu inteiramente: essa tentativa de satanização do mercado pela CNBB traz a lume a denúncia de Pazzianotto: sindicatos não dão empregos, o que dá emprego e´empresa, ou seja o mercado que o senhor bispo anatemiza. O resto é lorota, Haisem.

O Estadão relatou no domingo que a ex-presidente Dilma Rousseff disse neste sábado temer que seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, seja preso antes da disputa presidencial de 2018, o que, em sua opinião, representaria uma mudança ilegítima nas regras das eleições. “Me preocupa muito que prendam o Lula, me preocupa muito que tirem o Lula da parada”, afirmou em palestra na Universidade Harvard. Ela tem razão?

“Infelizmente para as oposições, ele tem 38% nas pesquisas, com tudo o que fizeram com ele”, afirmou. “É uma possibilidade concreta, meus caros. Deixa ele concorrer para ver se ele não ganha”, ressaltou no Brazil Conference at Harvard & MIT, organizado por estudantes brasileiros nas duas organizações. “Não acho que o Lula tem de ganhar ou perder. Ele tem de concorrer. Se perder, é da regra do jogo.”

Com seu cérebro confuso, Dilma confunde legislação eleitoral com código penal. Lula não disputa uma eleição faz tempo. De fato, ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas de preferência dos eleitores. Mas seu índice de rejeição ronda os 50%. Ou seja as chances de ele ganhar uma eleição majoritária são bastante duvidosas. Ela manipula números com a incompetência com que manobrou a economia no País.

Aliás, a pregação de Dilma no exterior contra as instituições brasileiras é um crime de lesa-pátria com a agravante de que o governo temeroso pagar passagens e hospedagens dela e de uma trupe de militantes antibrasil.

Dilma defendeu uma Assembleia Constituinte exclusiva para realização da reforma política. Segundo ela, a fragmentação partidária tornou o Brasil ingovernável e alimentou o fisiologismo. “Todo mundo quer ter partido para ter Fundo Partidário e tempo de TV. Esse sistema cria mecanismos para que haja fisiologismo e corrupção”, afirmou a ex-presidente, que defendeu o financiamento público de campanhas.

Ou seja, ela está a serviço da corrupção dos partidos por empresários que obtiveram lucros absurdos corrompendo burocratas, parlamentares, governantes e dirigentes partidários. Seu partido, o PT, está sendo alvo de uma investigação de roubo bilionário e isso retira completamente sua autoridade para falar e propor qualquer coisa aqui e lá fora.

Por falar nisso também no sábado e no mesmo encontro acadêmico, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo julgamento da operação Lava Jato em primeira instância e que, ao contrário de Dilma, goza de excelente reputação no Brasil, disse que a prática de corrupção para caixa 2 eleitoral é pior que a corrupção para o enriquecimento ilícito. Será que é mesmo?

Moro disse o seguinte: “Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento”, afirmou. “Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível.”

Moro criticou o Congresso pela não aprovação das propostas do Ministério Público de combate à corrupção, disse que o projeto de abuso de autoridade ameaça a independência de juízes e se colocou contra a proposta de anistia ao caixa 2.

Aplaudido de pé ao entrar no auditório, o juiz disse ter ficado chocado no julgamento de processos com os argumentos dos que tentavam diferenciar a corrupção para benefício pessoal e para financiamento de eleições. “Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia”, afirmou no evento Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido por estudantes brasileiros das duas instituições.” Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral”, ressaltou.

Tenho grande respeito pelo juiz Sérgio Moro e apoio integralmente seu trabalho histórico. Acho também que o apoio da população a esse trabalho é uma prova de que a sociedade brasileira não aceita mais a aceitação passiva e leniente da prática contumaz de corrupção que tem desmoralizado e empobrecido o Estado brasileiro. Tenho dúvidas a respeito dessa gradação e não acho importante discutir se caixa 2 é mais crime ou menos crime do que corrupção. São crimes diferentes e ambos são lesivos ao interesse público. Nesse particular, concordo com o que o jurista Modesto Carvalhosa escreveu frequentemente na página de Opinião do Estadão chamando a atenção para o fato de que o enriquecimento ilícito é um crime pessoal, penal. E o de caixa 2, um crime contra o sistema. O empresário que sonega impostos viola o princípio fundamental do capitalismo que é a igualdade de oportunidades. Ao não pagar impostos, ele goza de benefícios não usufruídos pelos concorrentes que pagam honestamente suas obrigações. No caso do político, a corrupção e o uso de caixa 2 são crimes funcionais, que lesam direitos fundamentais da cidadania nos Estados de direito, Pois interfere no resultado de eleições. Dilma, por exemplo, voltou a falar com seu estilo tabitate em eleições, como se a democracia só dependesse do voto. O voto é fundamental. Por isso mesmo, o estelionato cometido em 2014 em sua reeleição não pode ficar sem punição. A chapa Dilma-Temer foi reeleita em 2014 beneficiando-se na maior fraude eleitoral da História do Brasil. Apegar-se à contagem daqueles votos, como ela faz, é um outro crime, agravado pelo fato de que o faz usando dinheiro público para viajar para o Exterior e lá pregar contra nossas instituições.

Você falou em Modesto Carvalhosa. Ele e os juristas Flávio Bierrembach e José Carlos Dias defenderam em artigo na página 2 de sábado do Estadão a convocação de um plebiscito para decidir se se convoca uma constituinte independente ou, em vez disso se elege um Congresso Constituinte como aconteceu em 1988. Você acha a proposta viável?

O artigo é lúcido e primoroso. Vou ler alguns trechos para que você e os ouvintes tenham uma ideia das verdades que ele traz. Cito: Os constantes escândalos comprovam a inviabilidade do vigente sistema político-constitucional. Ele representa um modelo obsoleto, oligarca, intervencionista, cartorial, corporativista e anti-isonômico, que concede supersalários, foros privilegiados e muitos outros benefícios a um pequeno grupo de agentes públicos e políticos, enquanto o resto da população não tem meios para superar a ineficiência do Estado e exercer seus direitos mais básicos.

A Constituição de 1988 transformou a burocracia num obstáculo perverso ao exercício da cidadania. Ela é fruto de um momento histórico bastante peculiar, o fim de um regime de exceção, que não corresponde mais à realidade do Brasil; representa um conjunto de interesses e modelos que já em 1988 estavam em franca deterioração no mundo civilizado.

Por ser um compromisso de interesses entre as forças que disputavam o poder após a ditadura, a Carta de 88 foi recheada de casuísmos e de corporativismos. Estabeleceu um absurdo regime político que se nutre de um sistema pseudopartidário, excessivamente fragmentado e capturado por interesses de corporações e de facções político-criminosas. Isso torna excessivamente custosa a governabilidade, criando uma relação tóxica entre os Poderes, o que favorece a corrupção, o tráfico de influência e os rombos devastadores nas contas públicas.

Concordo com tudo o que nele está escrito, convoco sua leitura e termino citando seu último parágrafo como uma bandeira: Impõe-se, enfim, uma mobilização da sociedade civil e organizada que exija do Congresso Nacional a realização de um plebiscito, nos termos da Lei 9.709/98, para que o povo decida, soberanamente, se quer uma Assembleia Constituinte originária e independente, que estabeleça as novas estruturas para o desenvolvimento sustentável do nosso país, num autêntico Estado Democrático de Direito.

Diante do horror que é o quadro institucional do Brasil hoje concordo que é uma utopia. No entanto, é o certo. E precisamos lutar para que isso se realize. Pois não vejo outro caminho para sairmos desta situação de servidão em que o cidadão brasileiro vive hoje submetido a uma casta de políticos, burocratas, militantes, líderes sindicais e chefões religiosos que só querem saber de manter seus privilégios.

SONORA Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, Imperatriz, 1989

https://www.youtube.com/watch?v=Vypdabo9YUY a partir de 0:20

 

 

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Dom Steiner, da CNBB, maldiz reformas que põem fim a privilégios Foto: André Dusek/Estadão 2014

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