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Ao lado de Alckmin, Doria evita falar sobre candidatura em 2018

18:40 | 28/08/2017

Ao participar nesta segunda-feira, 28, de evento ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito da capital paulista, João Doria, ressaltou seu foco na gestão municipal e, numa referência a rumores sobre a disputa entre ambos pela indicação do PSDB à eleição presidencial do ano que vem, assinalou que, enquanto alguns perdem tempo com “fofocas”, os dois fazem parcerias em políticas públicas.Doria evitou responder, contudo, se pretende ser candidato na corrida pelo Palácio do Planalto do ano que vem. “Não se trata de descartar, nem de encartar, trata-se de priorizar e a prioridade é a prefeitura de São Paulo”, disse o prefeito quando questionado se descartaria concorrer pelo pleito do qual Alckmin, seu padrinho político, já manifestou interesse.

Ao lado do governador numa entrevista dada no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, Doria afirmou que tanto ele quanto Alckmin estão preocupados com a gestão pública. “Estamos imunes a esse tipo de colocação ou posições dessa natureza. Nosso grande objetivo é fazer gestão”, assinalou em mais uma resposta sobre quais são suas ambições em relação às eleições do ano que vem.

Mais cedo, durante a cerimônia de lançamento de um edital conjunto envolvendo o processo de concessão do sistema que gerencia o bilhete único do transporte público paulista, Doria já tinha destacado a parceria entre os dois tucanos num momento em que se ouve o que chamou de “fofocas” a respeito da dupla.

Alckmin, por sua vez, falou mais abertamente sobre as eleições de 2018. Questionado a respeito de um levantamento do instituto Ipsos que mostra que a imagem de lideranças tucanas está mais desgastada do que a do ex-presidente Lula, avaliou que pesquisas realizadas um ano e meio antes das eleições têm “significado modesto” e pediu que se aguarde o início do processo eleitoral.

“O que vai valer no ano que vem é um grande projeto para o Brasil de retomada do crescimento, emprego, renda, reformas que deem competitividade, reformas estruturantes. O País tem tudo para se recuperar, mas não vai fazê-lo por voluntarismo”, afirmou o governador.

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O candidato Ciro

por Felipe Moura Brasil

O ex-ministro dos governos de Itamar Franco e Lula e pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT-CE), em participação no programa ‘Pânico’, da rádio Jovem Pan, ecoou a narrativa do PT em diversos pontos:

– Defendeu Dilma Rousseff do impeachment, alegando que manobras contábeis do governo não configuram crime de responsabilidade;

– Defendeu Lula da sentença de condenação proferida por Sérgio Moro no caso do triplex, alegando que o juiz escreveu 238 páginas por não ter uma que fosse a prova cabal da corrupção passiva e da lavagem de dinheiro de propina do petrolão;

– Acusou Moro, na prática, de ter cometido um crime ao divulgar a conversa interceptada de Lula e Dilma sobre o termo de posse;

– Criticou a ordem de condução coercitiva de Lula sem intimação anterior.

Mesmo assim, Ciro:

– Ironizou os R$ 9 milhões de aposentadoria de Lula;

– Declarou apoio a Lava Jato;

– Celebrou as prisões dos peemedebistas Sérgio Cabral e Eduardo Cunha;

– Chamou o chefe da Casa Civil de Eliseu “Quadrilha”;

– Disse que teria votado pelo prosseguimento da denúncia contra Michel Temer porque caberia ao STF julgar, mas que ela tampouco continha a prova cabal da corrupção passiva, ainda que o presidente seja mesmo “chefe de quadrilha”, segundo Ciro.

O pré-candidato ainda buscou se distinguir de petistas e tucanos:

“Eu nunca aceitei que o Brasil tivesse que optar entre PT e PSDB. Eu fui fundador do PSDB, eu ajudei fazer o [Plano] Real; e eu ajudei o PT. São iguais: um com uma nuance mais de eficiência econômica, o outro com uma nuance mais de apelo social, mas a economia política, o modelo de compreensão das coisas no Brasil e as práticas são rigorosamente iguais.”

Sobre a igualdade das práticas, eis o exemplo dado por Ciro:

“O Marcos Valério, [operador] do mensalão, foi recrutado pelo [banqueiro] Daniel Dantas porque, para os políticos do PT de São Paulo, [isto] era aparentemente o crime perfeito. Por quê? Porque [o Marcos Valério] era o operador do PSDB. Então, se eu capturo você que trabalhava para o meu adversário, e você vem fazer para mim a mesma coisa, o outro não vai jamais denunciar.”

Ciro também falou do quadro eleitoral de 2018:

“Ninguém chega como favorito. O Lula sabe disso, por isso vai pensar muito se será candidato ou não. Porque o Lula tem uma situação muito peculiar, qual seja: ele é 100% conhecido, está no Jornal Nacional todo dia; preferido por 30% e rejeitado por 50%. Então esse é um candidato que parte bem e não chega, porque o segundo turno praticamente é hostil a ele por conta da rejeição. E o Lula é o mais esperto de todos.

Ele sabe bastante bem que ele precisava construir uma narrativa de vítima, de perseguição, para ‘coesionar’ o PT, que estava se esfarinhando, e segurar a tropa para ele chegar com alguma força lá na frente. Acho, porque tenho uma admiração pela inteligência dele, que ele próprio perceberá que não vale a pena. Se ele chegar a essa conclusão, que é o meu cálculo, o que acontecerá? Você terá cinco candidatos na faixa de 15% a 6%, portanto uma eleição completamente aberta que será definida no debate.”

Provocado como alguém que conta com a própria “eloquência” para se beneficiar deste cenário, Ciro preferiu corrigir, alegando que, na verdade, tem “conteúdo”.

Nessa linha, aliás, aproveitou para afetar superioridade a Jair Bolsonaro, ao avaliar o crescimento do deputado nas pesquisas, apontando seu “despreparo”:

“Ele toscamente responde a duas grandes questões da sociedade: uma a violência, a segunda a corrupção. Só que esses dois problemas não são resolvidos com frase-feita.”

Muito menos, certamente, fazendo vista grossa aos crimes de Lula e Dilma.

felipemb@oantagonista.com

Quem foram os presidentes que não concluíram o mandato e por quê

Michel Temer (PMDB) completou nesta sexta-feira um ano e uma semana desde que assumiu interinamente a Presidência da República. Pela segunda vez em um ano, o País tem presidente ameaçado de cair. Presidente não concluir mandato no Brasil não chega a ser propriamente novidade. Aliás, é algo que vem desde a fundação da República e atravessou a história do País. Dos dez presidentes efetivos que não terminaram o período de governo, seis caíram em função de crises políticas. Veja quem foram e quais as motivações.

Marechal Deodoro: primeiro presidente renunciou

1. Deodoro da Fonseca
Período de governo: 15 de novembro de 1889 a 25 de fevereiro de 1891
Via para a Presidência: tomada do poder (1889) e eleição indireta (1891)
Fim do mandato: renúncia
Contexto: havia intensa crise política. Deodoro fechou o Congresso, censurou a imprensa e prendeu líderes oposicionistas. A crise só aumentou e ele renunciou, com a frase: “Assino a carta de alforria do derradeiro escravo do Brasil”.

 

 

 

Afonso Pena morreu durante o mandato

2. Afonso Pena
Período de governo: 15 de novembro de 1906 a 14 de junho de 1909
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: morte por pneumonia

 

 

 

 

Washington Luís foi deposto por Vargas

3. Washington Luís
Período de governo: 15 de novembro de 1926 a 24 de outubro de 1930
Via para a Presidência: eleição direta na qual foi candidato único
Fim do mandato: deposição pela Revolução de 1930

 

 

 

 

Vargas cometeu suicídio em meio a crise e pressão por renúncia

4. Getúlio Vargas
Período de governo: 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945 e 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954
Via para a Presidência: tomada do poder (1930), eleição indireta (1934) e eleição direta (1950)
Fim do mandato: suicídio em meio a crise política

 

 

 

 

 

Café Filho se afastou por problema de saúde e foi proibido de voltar

5. Café Filho 
Período de governo:
 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955
Via para a Presidência: vice que assumiu com a morte de Vargas
Fim do mandato: impeachment
Contexto: Juscelino Kubitscheck foi eleito, mas havia pressão para que não fosse dada posse. Em meio à crise, Café Filho teve distúrbio cardiovascular e se afastou em 8 de novembro de 1955. Tomou posse o presidente da Câmara, Carlos Luz. Acusado de conspiração para não deixar JK assumir, foi deposto pelo ministro da Guerra, marechal Henrique Lott, em 11 de novembro, três dias após assumir. O impeachment foi aprovado pelo Congresso Nacional, sob pressão das Forças Armadas. Tomou posse o 1º vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.

Café Filho se restabeleceu e tentou reassumir o cargo. Lott o vetou e o Congresso, em 22 de novembro, aprovou o impeachment de Café Filho. Foi decretado estado de sítio até a posse de Kubitscheck. O episódio ficou conhecido como golpe preventivo, com objetivo de assegurar a legalidade.

 

Jânio: renúncia em manobra política frustrada

6. Jânio Quadros
Período de governo: 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: renúncia
Contexto: a renúncia era manobra para tentar retornar ao cargo com mais poderes. Não deu certo.

 

 

 

 

Jango foi deposto pelos militares que instalaram a ditadura

7. João Goulart
Período de governo: 8 de setembro de 1961 a 31 de março de 1964
Via para a Presidência: vice que assumiu após renúncia de Jânio
Fim do mandato: deposto pelo golpe militar de 1964
Contexto: acusado de ser comunista e em meio a medidas polêmicas e consideradas radicais, foi deposto pelas Forças Armadas que instituíram ditadura militar

 

 

 

Segundo dos generais ditadores afastou-se após derrame

8. Costa e Silva
Período de governo: 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969
Via para a Presidência: eleição indireta
Fim do mandato: afastamento após derrame cerebral. Morreu meses depois

 

 

 

 

Collor renunciou no dia em que sofreria impeachment

9. Fernando Collor de Mello
Período de governo: 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: renúncia na data da votação do impeachment
Contexto: alvo de denúncias de corrupção, renunciou na última hora para tentar preservar os direitos políticos, o que não conseguiu.

 

 

 

 

Dilma sofreu impeachment há um ano e uma semana, em crise ainda não encerrada

10. Dilma Rousseff
Período de governo: 1º de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016
Via para a Presidência: eleição direta
Fim do mandato: impeachment
Contexto: em meio a denúncias de corrupção, foi acusada de manobras fiscais e teve impeachment aprovado no Congresso.

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Defesa de Aécio pede que Gilmar seja relator de inquérito contra tucano
Advogado alega que fatos investigados não têm relação com a Operação Lava Jato

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Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo
30 Junho 2017 | 22h58
BRASÍLIA – A defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu nesta sexta-feira, 30, que um inquérito instaurado contra o tucano com base na delação da Odebrecht seja retirado do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e redistribuído para o ministro Gilmar Mendes.
O inquérito em questão diz respeito a acusações contra o senador por causa de obras nas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Estado de Rondônia.
Segundo a defesa do tucano, os fatos investigados não trazem “qualquer relação” com os fatos apurados no âmbito da Operação Lava Jato, da qual Fachin é relator. Além disso, o senador alega que esse inquérito possui “íntima relação” com um outro processo, de relatoria de Gilmar, que apura irregularidades no setor elétrico – no caso, Furnas.

“O cotejo entre ambas as portarias de instaurações — conforme detalhadamente realizado na petição nº 19560/2017 — não deixa dúvidas”, diz o advogado Alberto Zacharias Toron, que representa o tucano.

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Gilmar já é relator de um outro inquérito instaurado contra o tucano com base na delação da Odebrecht, que foi redistribuído por determinação da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.
O caso diz respeito à acusação de que o Aécio recebeu em 2014 valores indevidos pelo grupo Odebrecht para a sua campanha eleitoral. De acordo com delatores, os pagamentos teriam sido feitos de forma dissimulada por meio de contratos fictícios firmados com a empresa PVR Propaganda e Marketing Ltda. O tucano nega as acusações.
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Aécio está com medo de ser preso

14/06/2017 – 03h37

Ricardo Noblat

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) chorou, ontem, ao saber que a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), formada por cinco ministros, decidiu manter presa por 3 votos contra 2 sua irmã e principal assessora, Andrea Neves, suspeita de envolvimento no caso do pagamento de propinas a políticos pelo Grupo JBS.

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Dizem colegas de Aécio que ele está inconformado com a situação da irmã e com muito medo de também ser preso em breve. Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, reiterou ao STF o pedido de prisão de Aécio. E no próximo dia 20, os mesmos ministros que negaram a liberdade à Andrea julgarão o pedido feito por Janot.

Foi por isso que Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, reuniu-se, ontem, com o ministro Edison Fachin, relator da Lava Jato no STF. A informação oficial foi de que os dois conversaram sobre a decisão de Fachin de afastar Aécio do mandato. Mas eles trocaram ideias também sobre a possibilidade de Aécio ser preso.

Se a prisão dele for aprovada pelo STF, o Senado terá que dar ou não autorização para que ela se consuma. Foi assim no caso do ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), então líder no Senado do governo Dilma. Com uma diferença: acusado de obstrução da Justiça, Delcídio foi preso em flagrante. No mesmo dia, o Senado avalizou a prisão.

Em troca do apoio do PSDB ao governo Temer, o PMDB, dono da maior bancada no Senado, prometeu votar ali contra a cassação do mandato de Aécio e contra também um eventual pedido de autorização para que ele seja preso. Embora afastado do mandato, Aécio continua recebendo salário e os demais benefícios como senador.

Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)Senador Aécio Neves (Foto: Andre Coelho / Agência O Globo)

 

Em entrevista, esta manhã, tratamos dos institutos do “recall” e do parlamentarismo como soluções eficazes para resolver os graves problemas políticos, principalmente relacionados à presidência da República.

 

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Duque afirma que Graça Foster acertou propinas para o PT

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás depõe ao juiz Sérgio Moro como réu em ação penal por corrupção em contrato da italiana Saipem e, pela primeira vez, surge uma acusação à ex-presidente da estatal petrolífera

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

09 Junho 2017 | 18h48

Foto: Fábio Motta/Estadão

O ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato afirmou ter acertado propinas de 0,5% para o PT, a pedido da então presidente da petrolífera e Graça Foster, em contratos entre a estatal e a empresa italiana Saipem, para a qual ele foi chamado para atuar. Na ocasião, segundo Duque, ela era diretora de Gás e Energia da Petrobrás.

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“Eu conversei com José Eduardo Dutra (primeiro presidente da petrolífera no primeiro governo Lula, em 2003) e trouxe pra ele essa questão dos dois projetos que a Saipem queria que eu participasse e que queria esse apoio na Petrobrás. Pedi para que conversasse com Graça para que se ela ajudasse a Saipem nesses dois processos, haveria uma participação de 0,5% do contrato para o PT”, relatou Renato Duque.

Ele disse que, após a conversa com Dutra , que também foi presidente do PT, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster, recebeu a resposta positiva para o pagamento de propinas.

“O Dutra conversou com a Graça e voltou com a resposta afirmativa: ‘Está de acordo, vai ajudar no que puder, e fica certo 0,5% para o PT. E tem outra demanda. Que você separe 2 milhões de dólares. Um pra mim e um pra ela. O meu eu vou precisar em 2014 pra campanha em Sergipe. O dela eu não sei qual vai ser a destinação’”.

Apesar do suposto acerto, Duque afirmou que o pagamento ‘não se concretizou’.

O ex-diretor da Petrobrás ainda relata ter tido uma reunião com Graça Foster em época anterior ao suposto acerto.

“Graça Foster, quando ela assumiu a diretoria de Gás e Energia, ela me chamou no gabinete e disse: ‘eu sei que foi feito, que é feito, e eu sei o que tem que ser feito. Eu só não sei fazer. Eu só preciso da sua ajuda para que isso aconteça’.”

O depoimento foi dado na ação movida pelo Ministério Público Federal na qual Duque é acusado de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Segundo a Lava Jato, Duque integrou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para favorecer a italiana Saipem na contratação de obras da Petrobrás.

Os procuradores sustentam que o ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera e outros acusados se utilizaram de transações bancárias nas contas da Hayley/SA, offshore uruguaia que mantinha contas na Suíça e que, posteriormente, remetia os valores como simulação de investimentos na sua subsidiária Hayley do Brasil.


COM A PALAVRA, GRAÇA

A reportagem fez contato com a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster. O espaço está aberto para manifestação.

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operação Lava Jato

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